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Chávez encerra racionamento elétrico de quatro meses na Venezuela

Desde fevereiro, país sofria com cortes de no mínimo quatro horas de energia elétrica por dia

10 de junho de 2010 | 17h 52
Reuters e Efe

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta quinta-feira, 10, o fim do racionamento elétrico iniciado em janeiro, que dificultava a recuperação econômica do país.

Chávez: 'Cortes nas horas de pico ainda podem ocorrer' - Reuters/Palácio de Miraflores
Reuters/Palácio de Miraflores
Chávez: 'Cortes nas horas de pico ainda podem ocorrer'

A maior parte da Venezuela teve cortes de até seis horas por dia, o que reduziu a produtividade das empresas e abalou a popularidade de Chávez, pondo em risco o desempenho dos seus aliados na eleição legislativa de setembro.

"A partir deste momento, o plano de racionamento está suspenso em todas as partes do país", disse Chávez, em um ato oficial transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão, ao anunciar a suspensão do racionamento vigente desde fevereiro como parte da emergência elétrica decretada no mesmo mês. "Estamos saindo da dieta elétrica".

A suspensão foi anunciada dois dias depois de uma segunda prorrogação de 60 dias do estado de emergência elétrica ter entrado em vigor. Ela consistia, basicamente, na aplicação de cortes de ao menos quatro horas no fornecimento de energia em todo o país, exceto em Caracas, além do fornecimento de prêmios e sanções a quem reduzisse o consumo de energia ou o aumentasse.

O presidente, defensor do socialismo do século XXI, advertiu que, apesar do levantamento do estado de emergência elétrica, "cortes nas horas pico" poderiam ser aplicados no caso de alguma contingência.

O governo atribuiu a situação à forte seca, a pior em 45 anos de acordo com dados oficiais, enquanto a oposição culpou a falta de prevenção e investimento no setor energético ao longo dos 11 anos da administração Chávez.

A crise energética atinge a Venezuela desde meados de 2007, quando cortes intempestivos do serviço começaram a ser feitos quase diariamente em várias regiões do país, o que piorou no final de 2009.

A redução da jornada de trabalho no setor público a fim de economizar energia, no entanto, será mantida ao menos até 30 de julho, disse Chávez.


Cerca de 70% da energia venezuelana é hidrelétrica, e as recentes chuvas contribuíram para a reposição dos reservatórios, após vários meses de secas. O consumo elevado e os problemas de distribuição agravaram a crise.

Ainda há escassez elétrica na Venezuela. O governo pretende instalar uma capacidade adicional de 5.000 megawatts, principalmente em termoelétricas. Até o fim do primeiro trimestre, apenas 235 megawatts haviam sido instalados.

O governo deve gastar 5 bilhões de dólares neste ano com a importação de equipamentos, e as termoelétricas consomem um combustível que a Venezuela, país integrante da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), poderia estar exportando.