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Chávez não voltará a exercer a presidência, diz sociólogo

O presidente venezuelano não deve estar em Caracas para a nova posse, no dia 10, afirma o criador do 'Socialismo do Século XXI'

03 de janeiro de 2013 | 9h 48
FELIPE CORAZZA - O Estado de S.Paulo

A presença do presidente venezuelano, Hugo Chávez, em Caracas para a posse no dia 10 é “pouco provável”, mas o país deve seguir “suas bases constitucionais” com a convocação de novas eleições no caso de ausência definitiva do líder. A avaliação é do sociólogo alemão radicado no México Heinz Dieterich, criador da doutrina do “Socialismo do Século XXI”, base ideológica de Chávez. Até uma ruptura em 2007, Dieterich era considerado um dos maiores mentores políticos do mandatário da Venezuela.

Em entrevista ao Estado, o sociólogo avalia que a oposição, liderada por Henrique Capriles, ainda não tem força suficiente para vencer uma possível nova eleição. Pelas regras da Constituição, a votação teria que ser convocada em um prazo de até 30 dias após a confirmação da ausência definitiva do presidente. 

Dieterich não acredita em instabilidade e não vê mal-estar entre os militares com a deterioração do estado de saúde do presidente, mas enxerga que um “chavismo sem Chávez” teria seus conflitos no futuro, especialmente entre o sucessor designado, Nicolás Maduro, e o atual presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello.

Qual é a possíbilidade real de que o presidente Hugo Chávez esteja em Caracas para a posse no dia 10?
Vejo como pouco provável. Mas, certamente se pode dizer, e essa é a informação crucial, que não conseguirá voltar a exercer a presidência.

No caso da ausência do presidente, é mais provável que se convoque eleições (de acordo com a Constituição) ou haverá instabilidade?
Não haverá instabilidade. A maioria da população quer ordem e paz. Os principais líderes da oposição, particularmente Henrique Capriles, já entenderam isso. É a mesma posição do lado oficialista. Quer dizer, não há nenhuma força relevante na Venezuela que pretenda ou possa provocar instabilidade. O processo venezuelano continuará por suas bases constitucionais, e isso significa novas eleições.

A oposição unida em torno de Henrique Capriles não parece ter força suficiente para tomar vantagem da ausência de Chávez. No caso de novas eleições, a MUD será capaz de vencer?
Não, a oposição não pode vencer as novas eleições. Está dividida entre si, e, acima de tudo, não tem um projeto convincente de governo. Para ganhar, precisa deslocar-se para o centro. Capriles e Ramos Allup começaram esse processo, mas ainda necessitam de alguns anos para obterem credibilidade. Os opositores perderão a eleição que virá se o chavismo jogar bem suas cartas.

O sr. falou ao diário chileno La Tercera sobre um “chavismo sem Chávez”. Como seria esse contexto?
Um governo liderado por um presidente Nicolás Maduro seria o “chavismo sem Chávez”. No entanto, à medida em que Maduro se consolidasse no poder e Hugo Chávez se debilitasse cada vez mais pela doença, Maduro poderia estabelecer mudanças no modelo original. Seria um processo semelhante ao cubano. Raúl Castro segue formalmente o modelo socialista cubano de Fidel, mas o está alterando qualitativamente. De fato, o sistema cubano atual é qualitativamente muito diferente do que Fidel criou.

A relação entre Venezuela e Cuba seria um ponto muito importante em uma transição de poder. Os financiamentos de Caracas a Havana continuariam inalterados no “chavismo sem Chávez”?
Sim, continuariam por alguns anos, até que a correlação de forças na Venezuela mudasse. Mas, nos próximos três ou quatro anos, com Maduro, o apoio a Cuba será mantido.

O vice-presidente Maduro é capaz de concluir um processo de sucessão? O mal-estar entre ele e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, pode ser um obstáculo a isso?
Cabello perdeu a batalha pública pela sucessão, mas continua a ter um considerável poder. Ele utilizará esse poder para tratar de moldar o processo de transição e manter seu potencial político para o futuro. O mais provável é que Maduro e Cabello façam uma aliança tática agora para ganharem as eleições. Depois, a história será outra.

Por que o poder foi entregue ao ministro Hector Navarro na ausência de Chávez e Maduro? Não seria natural que Diosdado Cabello fosse incumbido da presidência?
Seria natural, mas Hugo Chávez quis deixar absolutamente claro que Cabello deve se subordinar às suas decisões de sucessão. E o sucessor é Maduro. Navarro, e isso é importante, é o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento. Por isso, sua nomeação evidencia o xadrez de poder do presidente a favor de Maduro.

Como os militares venezuelanos estão monitorando a situação? Há mal-estar nos quartéis?
Não, não há mal-estar. A tropa e os comandantes médios estão com Hugo Chávez, e o mesmo vale para os altos oficiais, tanto os que estão na ativa quanto os que viraram governadores - são 11 de 20 - e passaram a integrar a classe política chavista. São altamente politizados, conscientes da situação e têm toda a informação necessária para analisar e atuar como um bloco coeso de poder.

A escolha do tratamento em Havana foi motivada por questões políticas ou médicas?
A medicina cubana, em muitas áreas, tem nível mundial. Quer dizer, estaria garantido um tratamento profissional em Cuba e, ao mesmo tempo, a segurança física do presidente, assim como o controle de informações. Uma longa amizade e a proximidade geográfica também compuseram o cenário a favor da ilha. 





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