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Chávez perde em referendo sobre perpetuação no poder

03 de dezembro de 2007 | 8h 22
SAUL HUDSON - REUTERS

O presidente venezuelano, Hugo Chávez,

sofreu uma derrota eleitoral inédita na sua carreira, com a

rejeição em referendo de uma reforma constitucional que lhe

permitiria disputar a reeleição indefinidamente e aprofundar

sua "revolução socialista".

O "não" obteve 50,7 por cento dos votos no domingo e o

"sim" ficou com 49,49 por cento, segundo resultados divulgados

na madrugada de segunda-feira.

Imediatamente, seguidores da oposição tomaram as ruas de

Caracas com seus carros, bandeiras, buzinas e gritos. Muitos

consideravam que a Venezuela havia escapado por pouco da

imposição de um regime autoritário.

"A reforma teria feito algumas mudanças assustadoras no

país", disse em êxtase Astrid Badell, 18 anos, tirando da boca

um apito verde de plástico. "Teria sido praticamente uma cópia

da Constituição cubana, e isso seria um grande passo para

trás."

Embora Chávez continue popular e poderoso, essa foi a

primeira derrota sofrida por ele em nove anos.

O auto-intitulado revolucionário socialista, aliado

incondicional de Cuba, admitiu a derrota, mas disse que vai

"continuar a batalha para construir o socialismo". Declarou

ainda que a proposta segue "viva", o que sinaliza uma intenção

de insistir nela.

"Não é nenhuma derrota, para mim este é outro 'por

enquanto"', declarou Chávez, repetindo a frase que disse em

1992 ao admitir o fracasso do golpe tentado por ele, então

tenente-coronel pára-quedista do Exército.

Em seu pronunciamento no palácio de Miraflores, Chávez não

parecia desanimado. Pediu aos seguidores que não se

entristecessem e desejou "Feliz Natal" a todos.

"Ouvi a voz do povo e vou sempre ouvi-la", afirmou.

Estudantes, ONGs, grupos empresariais, partidos de

oposição, o clero católico, alguns antigos aliados e até a

ex-mulher de Chávez, normalmente leal a ele, haviam se

manifestado contra a reforma constitucional.

"A Venezuela disse 'não' ao socialismo. A Venezuela disse

'sim' à democracia", afirmou Leopoldo López, popular prefeito

de um dos distritos de Caracas.

Admirado nas favelas e zonas rurais pobres da Venezuela,

Chávez, de 53 anos, não esconde seu desejo de governar até

morrer. Mas, sem uma reforma constitucional, terá de deixar o

poder em 2013.

Três ministros haviam dito antes que Chávez venceria o

referendo por uma margem de pelo menos seis pontos percentuais

-- vantagem que foi sumindo conforme os resultados iam sendo

divulgados.

(Com reportagem de Hugh Bronstein, Brian Ellsworth,

Patricia Rondon)



Tópicos: VENEZUELA, REFERENDO, PERDE