Chefe da Interpol é um 'vagabundo internacional', diz Chávez
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
chamou na quinta-feira o chefe da Interpol de "vagabundo
internacional" e ameaçou processar o organismo, depois que este
certificou a autenticidade de equipamentos de informática que
podem vincular o mandatário à guerrilha colombiana.
O secretário-geral da Interpol, Ricardo Noble, afirmou
horas antes que os arquivos encontrados nos computadores de um
líder guerrilheiros são autênticos, mas evitou julgar seu
conteúdo.
Bogotá acusa Venezuela e Equador de apoiar as Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
"Este Noble é um vagabundo (...). Eu o denuncio como um
vagabundo internacional. E é perigoso que a Interpol tenha um
vagabundo como secretário-geral", disse Chávez a uma roda de
jornalistas estrangeiros no palácio de governo.
O chefe da polícia científica venezuelana questionou a
obtenção ilícita do material e a cadeia de custódia de seus
traslados, para colocar em dúvida a autenticidade dos dados e a
sua verificação, quando foi consultado pelo mandatário durante
a conversa com os jornalistas.
O ministro do Interior e Justiça recebeu a instrução de
revisar a participação da Venezuela no organismo de cooperação
policial internacional.
"Temos que revisar, (Ramón) Rodrigues Chacín, nossa adesão
a isto, à Interpol", disse o presidente ao ministro, adiantando
que poderia criar uma organização paralela com "gente séria".
O mandatário acusa o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe,
de montar um "show" contra si, respaldado pelos Estados Unidos,
seu inimigo ideológico.
"É um show constrangedor e vergonhoso da Interpol e do
governo da Colômbia. Até quando, presidente Uribe?", disse.
Ambos os países têm protagonizado uma forte crise
diplomática por suas diferenças de enfoque a respeito das Farc.
URIBE DEFENDE
O presidente da Colômbia, por sua vez, disse que a
honestidade das autoridades de seu país ficou demonstrada no
informe da Interpol.
A declaração de Uribe a jornalistas em Lima, onde participa
de uma cúpula da América Latina, do Caribe e da Europa, foi sua
primeira reação após a divulgação da Interpol.
(Reportagem de Rondón Espín, em Caracas, e María Luisa
Palomino, em Lima)
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