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Chefe da Interpol é um 'vagabundo internacional', diz Chávez

15 de maio de 2008 | 21h 38
REUTERS

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez,

chamou na quinta-feira o chefe da Interpol de "vagabundo

internacional" e ameaçou processar o organismo, depois que este

certificou a autenticidade de equipamentos de informática que

podem vincular o mandatário à guerrilha colombiana.

O secretário-geral da Interpol, Ricardo Noble, afirmou

horas antes que os arquivos encontrados nos computadores de um

líder guerrilheiros são autênticos, mas evitou julgar seu

conteúdo.

Bogotá acusa Venezuela e Equador de apoiar as Forças

Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

"Este Noble é um vagabundo (...). Eu o denuncio como um

vagabundo internacional. E é perigoso que a Interpol tenha um

vagabundo como secretário-geral", disse Chávez a uma roda de

jornalistas estrangeiros no palácio de governo.

O chefe da polícia científica venezuelana questionou a

obtenção ilícita do material e a cadeia de custódia de seus

traslados, para colocar em dúvida a autenticidade dos dados e a

sua verificação, quando foi consultado pelo mandatário durante

a conversa com os jornalistas.

O ministro do Interior e Justiça recebeu a instrução de

revisar a participação da Venezuela no organismo de cooperação

policial internacional.

"Temos que revisar, (Ramón) Rodrigues Chacín, nossa adesão

a isto, à Interpol", disse o presidente ao ministro, adiantando

que poderia criar uma organização paralela com "gente séria".

O mandatário acusa o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe,

de montar um "show" contra si, respaldado pelos Estados Unidos,

seu inimigo ideológico.

"É um show constrangedor e vergonhoso da Interpol e do

governo da Colômbia. Até quando, presidente Uribe?", disse.

Ambos os países têm protagonizado uma forte crise

diplomática por suas diferenças de enfoque a respeito das Farc.

URIBE DEFENDE

O presidente da Colômbia, por sua vez, disse que a

honestidade das autoridades de seu país ficou demonstrada no

informe da Interpol.

A declaração de Uribe a jornalistas em Lima, onde participa

de uma cúpula da América Latina, do Caribe e da Europa, foi sua

primeira reação após a divulgação da Interpol.

(Reportagem de Rondón Espín, em Caracas, e María Luisa

Palomino, em Lima)