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Chefe da OEA é 'bem-vindo' em Honduras, diz líder interino

Após anúncio da visita de Insulza, marcada para sexta, Micheletti afirma que 'todos os países são bem-vindos'

02 de julho de 2009 | 18h 30

O presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, disse nesta quinta-feira, 2, que o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, é "bem-vindo" na visita que fará ao país, marcada para sexta, e que assegurou que ele será escutado. "Todos os países do mundo são bem-vindos", afirmou Micheletti, logo depois que Insulza anunciou sua viagem para conversar com o governo interino.

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Nesta quinta, o presidente deposto de Honduras, José Manuel Zelaya, disse que o secretário-geral viajará ao país para dar um ultimato ao novo presidente e não para negociar. "Ele vai informar do ultimato, não vai negociar absolutamente nada", afirmou ele em entrevista coletiva no Panamá. O anúncio da viagem aparece depois que o organismo internacional ameaçou, na quarta-feira, suspender o país da instituição se Zelaya não for restituído em 72 horas.

Insulza, porém, afirmou que a missão diplomática pode não ter sucesso, uma vez que a comunidade internacional já "fez praticamente tudo o que podia" para reivindicar a restituição de Zelaya. Sobre a resolução da OEA aprovada na quarta, alertou para a possibilidade de sanções caso Honduras não as acate. A previsão é que, durante o fim de semana, sejam definidas as sanções que serão impostas ao governo de Tegucigalpa se a atual situação se mantiver. Na quarta, Micheletti disse que "não tem nada" para negociar com a OEA.

As autoridades do governo interino insistem que a destituição de Zelaya foi uma "sucessão forçada", mas ajustada ao marco legal hondurenho, embora a expulsão do presidente do país sob a mira de um rifle tenha sido condenada por governos tão diferentes como o norte-americano e o venezuelano. "Estamos decididos todos a apoiar o governo legítimo de Honduras. Até mesmo o governo dos Estados Unidos se pronunciou a favor do retorno de Zelaya", disse na quarta-feira o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Micheletti nega que a deposição de Zelaya foi um golpe de Estado. "O Congresso todo tomou uma decisão e decidiu substituí-lo, e é por isso que é chamado 'sucessão constitucional' e eles me escolheram para substituir Zelaya", afirmou. O presidente de facto diz estar preocupado com o povo de Honduras. "Temos compromissos com nosso país. Não precisamos chegar a acordos com ninguém", disse. "Se a comunidade internacional considera que cometemos crimes ou algum erro eles podem nos condenar, é isso", acrescentou.

Eleito em 2005 para um mandato não renovável de quatro anos, Zelaya entrou em conflito com a justiça do país, com os militares e políticos ao pedir um referendo, que ocorreu domingo, para mudar a constituição, permitindo assim que exercesse a presidência por um segundo turno. Desde sua deposição, Zelaya tem conseguido apoio internacional, incluindo condenações de sua retirada do poder pela Assembleia Geral das Nações Unidas e do presidente norte-americano Barack Obama, enquanto, em represália, a ajuda internacional ao país está sendo gradualmente suspensa.