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China declara 'guerra' a produtos com defeitos

24 de agosto de 2007 | 11h 28
CHRIS BUCKLEY - REUTERS

A China iniciou uma campanha de quatro

meses contra alimentos, medicamentos e outros produtos com

defeitos ou contaminações, disse a imprensa estatal na

sexta-feira, enquanto as autoridades adotavam táticas

consagradas para melhorar a imagem dos rótulos "made in China".

A vice-primeira-ministra Wu Yi disse a autoridades que a

campanha, até o fim do ano, vai focar os produtos problemáticos

que corroeram a confiança dos consumidores de produtos chineses

no mundo todo.

"Trata-se de uma batalha especial para proteger a saúde e

os interesses pessoais do público e para proteger a reputação

dos bens chineses e a imagem nacional", disse Wu, segundo o

site do governo chinês (www.gov.cn).

Ela qualificou a campanha como "uma austera tarefa

política", sinalizando que as carreiras dos funcionários estão

em jogo.

Neste mês, a Mattel, maior empresa mundial de brinquedos,

decidiu recolher 18 milhões de peças produzidas na China devido

ao perigo representado por pequenos ímãs destacáveis. Antes, a

empresa recolhera 1,5 milhão de brinquedos cujas tintas tinham

excesso de chumbo.

A Wal-Mart, maior rede de supermercados do mundo, pediu a

seus fornecedores que reapresentem os documentos de liberação

dos brinquedos ali vendidos.

Também houve problemas com outros produtos chineses, como

cremes dentais, rações animais, pneus e frutos do mar. No

Panamá, houve mortes devido ao consumo de um xarope de origem

chinesa contaminado com um produto químico.

A China reagiu adotando novas regras, fechando fábricas e

convocando constantes entrevistas coletivas. Agora, surge a

campanha em velho estilo para "chacoalhar" os empresários,

muitas vezes mais preocupados em cumprir as metas econômicas.

Wu disse que há falhas nas inspeções e falta de cooperação

entre agências rivais. Ela prometeu colocar esses órgãos na

linha com uma lista de oito tarefas e 20 metas específicas.

"Claramente, trata-se de uma abordagem autocrática, de cima

para baixo, usando métodos de campanha", disse Mao Shoulong,

professor de Políticas Públicas na Universidade Popular.

"Na China, esse método de campanha ainda tem um papel no

tratamento de problemas relativamente simples, porque quando os

funcionários de base vêem o premiê ou um vice-premiê tomando o

assunto para si, focando nele, eles sabem que têm de sentar e

prestar atenção."

Desde que chegou ao poder, em 1949, o Partido Comunista

costuma recorrer a campanhas curtas contra inimigos, pestes e

gargalos administrativos. Nas últimas décadas, porém, a

frequência dessas campanhas diminuiu.

"A execução de Zheng Xiaoyu também foi parte dessa

abordagem de campanha para chamar a atenção dos funcionários",

disse Mao, referindo-se à pena de morte imposta em julho a um

ex-diretor do órgão responsável pela segurança de alimentos e

remédios, acusado de ter recebido propinas.

Agora, o governo destacou 60 "condados-modelo da segurança

dos alimentos", que devem servir de exemplo ao país.

Wu anunciou metas para a limpeza de abatedouros de porcos,

restaurantes e cantinas, para a melhoria no uso de pesticidas e

aditivos e para os produtos de exportação.

O jornal Shanghai Daily disse na sexta-feira que as

autoridades municipais apreenderam mais de uma tonelada de um

tipo de alga comestível que estava embebida em um produto

tóxico para dar a impressão de frescor. Também havia vinho e

vinagre falsificados.

Segundo o China Daily, a campanha pode não ser tão

eficiente. "Construir um mecanismo onipresente de monitoramento

e garantia se provará uma missão desafiadora para uma campanha

de quatro meses", opinou o jornal.



Tópicos: CHINA, PRODUTOS