China prevê êxodo de 100 milhões para as cidades em dez anos
População urbana chinesa deve superar a casa dos 800 milhões em 2020, indica o governo
PEQUIM - Mais de 100 milhões de chineses em zonas rurais se mudarão para as cidades ao longo da próxima década, causando uma sobrecarga nos serviços públicos e nos programas sociais, segundo previsões do governo de Pequim divulgadas nesta segunda-feira, 10.

O relatório da Comissão Nacional de Planejamento Populacional e Familiar prevê que até 2020 a população urbana da China irá ultrapassar os 800 milhões, dos quais muitos serão migrantes sem direito a seguro-saúde nas cidades.
"Nosso país ainda enfrenta muitos desafios para alcançar uma urbanização saudável", disse o relatório, segundo um sumário apresentado pela agência de notícias Xinhua. "No momento, ainda não formamos uma rede estratégica de cidades, e no geral a capacidade urbana precisa urgentemente ser fortalecida." O texto diz ainda que existe um "forte conflito entre oferta e demanda nos serviços públicos urbanos."
O Censo do ano passado apontou 1,34 bilhão de habitantes na China, sendo metade em zonas urbanas.
Ao contrário do que ocorreu em gerações anteriores, muitos migrantes não têm planos de voltarem às suas aldeias após passarem alguns anos trabalhando em fábricas e construções.
O relatório mostrou que 52% dos migrantes de zonas rurais não têm acesso a programas de bem estar social, e há demandas não atendidas em termos de moradia, educação e saúde.
Em junho, trabalhadores migrantes destruíram órgãos públicos e veículos policiais no cinturão industrial do sul da China, num protesto desencadeado por um incidente em que uma vendedora ambulante, grávida, foi maltratada por guardas.
No ano passado, greves em fábricas de autopeças de origem japonesa demonstraram como a nova geração de trabalhadores chineses está mais assertiva quanto aos seus direitos.
A China tem cerca de 153 milhões de trabalhadores vivendo fora das suas cidades natais, e, em 2009, 58,4% deles eram da "nova geração" de migrantes (nascidos a partir de 1980), segundo um relatório anterior do Departamento Nacional de Estatísticas.
O novo estudo mostrou que 76,3% dos migrantes da "nova geração" não têm planos para voltar às suas regiões. Mesmo entre os que desejam voltar, a maioria quer encontrar novos empregos urbanos, em vez de regressar ao trabalho agrícola.
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