CIA usou técnica de afogamento 266 vezes contra dois homens
Tática, considerada tortura, era aplicada legalmente em interrogatórios durante a administração Bush
Agentes da CIA usaram uma técnica de afogamento simulado que a administração do presidente americano Barack Obama considera tortura 266 vezes contra dois membros da Al-Qaeda, informou o jornal The New York Times nesta segunda-feira, 20, citando um relatório do Departamento de Justiça de 2005. Abu Zubaydah foi afogado 83 vezes em agosto de 2002, enquanto Khalid Shaikh Mohammed, que confessou ter planejado os atentados de 11 de Setembro, foi submetido à técnica em 183 ocasiões.
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Segundo o New York Times, a divulgação dos números é provavelmente parte de um debate sobre a moralidade e eficácia dos métodos que o governo George W. Bush considerava legais, apesar das diversas denúncias de ex-prisioneiros da prisão naval de Guantánamo, ONGs e organizações humanitárias.
Na última quinta-feira, Obama absolveu os oficiais acusados de utilizarem as polêmicas técnicas durante os interrogatórios da CIA. "Aqueles que cumpriram com suas obrigações fiando-se da boa-fé da assessoria legal do Departamento de Justiça não serão processados", disse o presidente.
O anúncio desapontou os grupos de direitos humanos e ex-prisioneiros que condenam os métodos. O relator da ONU contra a tortura, o austríaco Manfred Nowak, disse que os Estados Unidos violariam o direito internacional se não punissem os agentes. "A convenção é clara. Todos os países se comprometem tanto a declarar a tortura como crime como a punir judicialmente os torturadores", declarou o diretor do Instituto Ludwig Boltzmann de Direitos Humanos, localizado em Viena.
Nowak acha pouco provável que Obama vá tão longe e emita "uma lei de anistia". Além disso, disse que o anúncio feito nos últimos dias é "político" e tem como objetivo virar a página sobre o assunto. No entanto, o relator da ONU destacou que tribunais e promotores americanos "poderão, sim, apresentar ações" contra supostas torturas, "assim como outros países, como, por exemplo, a Espanha."
TÁTICAS
Na semana passada, p governo americano também divulgou relatórios secretos da CIA que detalhava as táticas de interrogatório, sancionadas pela administração Bush. Os documentos autorizavam que os prisioneiros fossem mantidos nus, em más condições e em celas frias por longos períodos de tempo. Também era permitido bater nos presos e ainda deixar de alimentá-los. Os agentes também eram autorizados a fazer ameaças aos familiares dos prisioneiros.
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