Cineasta brasileira estava a bordo de frota atacada pela marinha israelense
Iara Lee postou mensagens sobre o clima ostensivo em site de relacionamentos antes do ataque
SÃO PAULO - A cineasta e ativista brasileira Iara Lee é uma das pessoas que se encontrava a bordo de uma das seis embarcações de uma frota de ajuda humanitária que foi atacada na manhã desta segunda-feira, 31, por navios da marinha israelense, deixando ao menos dez mortos.

No início da tarde deste domingo, Iara Lee começou a postar mensagens no site de relacionamentos Facebook dizendo que estava a bordo de um dos navios da flotilha internacional rumo à Faixa de Gaza. Sua última mensagem, postada às 20h08 (horário de Brasília) deste domingo, pedia ajuda para que as embarcações não fossem atacadas. "Nós precisamos da sua ajuda para impedir que Israel ataque nossa frota comunitária."
Amigos de Iara respondiam às postagens. Uma amiga de Iara deixou mensagens na página online de Lee informando que havia encaminhado na manhã desta segunda-feira uma carta para o Ministério das Relações Exteriores informando que a cineasta brasileira se encontrava em um dos navios do comboio humanitária. Até o momento, o Itamaraty não se pronunciou a respeito da situação de Iare Lee.
"Falamos com ela ontem (domingo) à noite. Ela contou que os navios estavam cercados pelo Exército de Israel e o tom dela era de medo e tensão", disse a professora da USP Arlene Clemesha.
No último contato, Iara teria ainda dito a Arlene que os tripulantes já estavam tentando planejar "alguma estratégia" para o caso de serem atacados. "Ela falou que há idosos e crianças nas embarcações. E que uma ideia seria tentar empurrar os soldados israelenses para o mar", disse a professora da USP.
No fim da manhã desta segunda-feira, um amigo de Iara postou uma mensagem dizendo que "estava feliz em saber que ela (Iara) estava OK" e pediu para ela mandar mais notícias.
Nas mensagens postadas anteriormente, a cineasta brasileira, de origem coreana, relatava sobre o clima ostensivo no local onde os barcos estavam. "A marinha israelense já está fazendo ameaças, ordenando que mudemos de curso. Nós esperávamos encontra-los, mas não tão cedo e em águas internacionais! É tão ilegal!", postou Iara Lee às 18h20.
(Com BBC Brasil - atualizada às 13h45)
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