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Colonos israelenses retomam obras antes de fim de congelamento

Paralisação da construção de novos assentamentos é considerado fato fundamental no diálogo

02 de setembro de 2010 | 7h 40
Reuters

  JERUSALÉM - Horas antes do início da retomada das conversações de paz entre palestinos e israelenses em Washington, colonos judeus na Cisjordânia ocupada por Israel anunciaram nesta quinta-feira, 2, planos de iniciar novas obras em seus enclaves na região, em uma demonstração de força em relação aos palestinos.

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O diretor da entidade que agrupa os colonos, Naftali Bennett, disse que eles iriam começar a construir mais casas e infraestrutura pública em pelo menos 80 colônias erguidas nos territórios ocupados por Israel, rompendo assim o congelamento nas construções, cujo prazo termina em 26 de setembro.

"A ideia é que a situação de fato (o congelamento) acabou", disse Bennet, criticando as conversaçoes de paz patrocinadas pelos Estados Unidos, que qualificou como "embuste" e rejeitando a exigência dos palestinos de interrupcão da expansão dos assentamentos em terras nas quais pretendem formar seu Estado.

Os palestinos dizem que a retomada da construção de assentamentos causaria problemas e poderia até fazer as negociações de paz fracassarem. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, já adiantou na quarta-feira, após uma reunião com o presidente dos EUA, Barack Obama, que seu governo não estenderá a interrupção para a expansão das colônias.

Segundo o jornal israelense Ha'aretz, os colonos chegaram a ameaçar Netanyahu com sua deposição caso a construção não fosse retomada. A maioria dos judeus que apoiam os assentamentos são partidários da coalizão direitista do premiê, cujos membros já mostraram apoio à expansão.

Veículos como retroescavadeiras e tratores já foram acionados e trabalham nos locais das obras. Segundo Bennett, a questão dos assentamentos é uma demonstração de força na disputa entre palestinos e israelenses. "O verdadeiro teste entre Israel e os palestinos radicais está na terra, e nós vamos ver quem é mais forte e vai ficar aqui. Uma vez que eles percebam que estamos aqui para ficar e nos fortalecemos dia após dia, eles desistirão", disse.

A decisão unilateral dos colonos também é considerada uma resposta aos ataques de palestinos radicais contra colonos judeus nos últimos dias. Na terça, quatro israelenses morreram em um atentado a tiros, enquanto outros dois ficaram feridos na noite desta quarta. Os ataques foram reivindicados pelo braço armado do Hamas - grupo militante palestino que se opõe às negociações com Israel.

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