Ir para o conteúdo
ir para o conteúdo
 • 
Você está em Notícias > Internacional
Início do conteúdo

Começa julgamento dos protagonistas dos 'voos da morte' na Argentina

Sessenta e oito militares sentam no banco dos réus, acusados dos sequestros e torturas de 789 pessoas

27 de novembro de 2012 | 19h 35
Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires

BUENOS AIRES - "Um clube de perversão". Esta é a definição que o jornalista e analista político Eduardo Aliverti aplica à Escola de Mecânica da Armada (ESMA), o maior centro de detenção de torturas da ditadura militar argentina (1976-83). Sessenta e oito militares que ali atuaram como torturadores sentarão nesta quarta-feira no banco dos réus, acusados dos sequestros e torturas de 789 pessoas, além do assassinato da maioria destas vítimas. No total, 900 pessoas prestarão depoimento ao longo dos próximos meses nos tribunais do portenho bairro de Retiro.

Veja também:
link Argentina volta a julgar último ditador
link Avós da Praça de Maio revelam identidade de bebê sequestrado
link Operação Condor 'trocou' terra natal de crianças

Militares que atuaram na ESMA são julgados na Argentina - Natacha Pisarenko/AP
Natacha Pisarenko/AP
Militares que atuaram na ESMA são julgados na Argentina

O denominado "mega-julgamento da ESMA" será marcado pelos casos dos responsáveis pelos "voos da morte", modalidade preferida da Marinha para "desaparecer" com as pessoas sequestradas. O caso que mais desperta a atenção é do piloto Julio Alberto Poch, que após o fim da ditadura fugiu para a Holanda, onde trabalhou em uma companhia aérea até que foi extraditado em 2010. Poch não escondia seu passado e costumava relatar a seus colegas europeus detalhes sórdidos sobre a forma como os prisioneiros eram arremessados ao mar, ainda vivos.

Outra estrela deste julgamento será Jorge Acosta. O ex-capitão de corveta, apelidado de "Tigre" por sua ferocidade com os prisioneiros, que acumula uma condenação a perpétua por torturas e assassinatos, além de 30 anos pelo roubo sistemático de bebês, desta vez terá que responder pelas acusações de estupros às prisioneiras.

Voos

Adolfo Scilingo, ex-capitão da Marinha, em 1995, arrependido de sua participação nos "voos da morte", revelou que 4.400 pessoas foram assassinadas ao serem arremessadas no rio da Prata e no mar pelos aviões da Marinha.

Scilingo, condenado a 640 anos de prisão pelos tribunais da Espanha por crimes contra a humanidade, sustentou que os voos da morte não eram um procedimento circunstancial, mas sim, parte de um plano de grande escala de eliminação dos corpos dos desaparecidos.

Além da Armada argentina, a Aeronáutica e o Exército também realizaram "voos da morte". No entanto, teriam sido em menor escala, já que estas duas forças enterravam os cadáveres em fossas comuns clandestinas. O regime militar também amarrava prisioneiros e os dinamitava vivos, além de realizar fuzilamentos em massa.

Imobiliária

A ESMA também transformou-se em um armazém de bens confiscados dos prisioneiros. Os oficiais que ali operavam enriqueceram com a venda de joias, móveis antigos e obras de arte roubadas das pessoas detidas. Os oficiais organizaram uma imobiliária que vendia os apartamentos e casas dos prisioneiros.

Apagões

As fortes descargas elétricas para torturas causavam "apagões" no resto das instalações da Esma.

Humor negro

Os diversos edifícios e ruas da ESMA, espalhados em 17 hectares, possuíam na época da ditadura nomes que indicavam o humor negro dos oficiais: "Avenida da Felicidade", "Eldorado", "O Capuz" e "O Pequeno Capuz". Estes dois últimos, em alusão aos capuzes que os militares colocavam sobre a cabeça dos prisioneiros, que frequentemente ficavam semanas ou meses sem ver a luz do dia.

 




Estadão PME - Links patrocinados

Anuncie aqui

Fechar

Para continuar lendo o Estadão, faça já o seu cadastro. É rápido e fácil.

Seus dados serão guardados de forma segura e não serão compartilhados.

Quero me cadastrar Sou assinante Já sou cadastrado
SOU ASSINANTE - ACESSO
Esqueci minha senha
JÁ SOU CADASTRADO

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão.

Esqueci minha senha
QUERO CRIAR MEU LOGIN

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha.

ESQUECI MINHA SENHA

QUERO ME CADASTRAR

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo.

CADASTRO REALIZADO

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail .
Clique no link fornecido e crie sua senha.


Importante!
Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail está ativado.

QUERO ME CADASTRAR

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo.