Conferência adota tratado contra bombas de fragmentação
Mais de cem países aderiram
formalmente, na sexta-feira, à proibição de utilizar bombas de
fragmentação, mas o debate persistia a respeito de brechas no
tratado capazes de beneficiar potências como os EUA, que se
recusaram a tomar parte das negociações.
O presidente da conferência declarou que o projeto adotado na
sexta-feira depois de 12 dias de debate não havia sido alvo de
nenhum tipo de objeção da parte dos delegados.
"Em termos práticos, a implementação começa hoje", afirmou
o chefe da delegação norueguesa, Steffen Kongstad, aos demais
participantes do evento.
Os delegados acertaram o projeto de tratado na
quarta-feira, depois de uma promessa feita pela Grã-Bretanha de
não mais utilizar essa modalidade de armamento.
Os EUA, a China e a Rússia rejeitaram o tratado, ao passo
que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)
conferiu-lhe apoio.
As bombas de fragmentação contêm "bombinhas" que se
espalham por grandes áreas e depois detonam como se fossem
minas terrestres.
Os que se opõem a esse tipo de armamento afirmam que os
artefatos produzem vítimas de forma indiscriminada porque as
"bombinhas" podem ficar meses ou anos escondidas em um
determinado terreno até que alguém passe perto delas por
acidente.
O impacto do tratado, de toda forma, viu-se minorado por
uma cláusula, chamada de Artigo 21, que permite a soldados dos
países signatários cooperarem com um aliado que use as bombas
de fragmentação, como seria o caso dos EUA.
"Alguns citaram o Artigo 21 como uma brecha", afirmou Earl
Turcotte, porta-voz da delegação canadense. "Nós o consideramos
um elemento essencial da proteção legal a fim de acomodar
situações em operações conjuntas que podem estar além do nosso
controle", acrescentou.
O chamado processo de Oslo contra as bombas de
fragmentação, que seguiu o modelo da campanha de uma década
atrás contra as minas terrestres, deve concluir-se oficialmente
com a assinatura do tratado na capital da Noruega, em
dezembro.
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