Conselho de Guardiães do Irã anuncia recontagem de votos
Decisão é anunciada após dias de protestos que mataram 7; mais alta instância legislativa recusa anular eleição
A mais alta instância legislativa do Irã, o Conselho de Guardiães do Irã, órgão que supervisiona a eleição presidencial e que dispõe do poder de veto, anunciou que vai recontar os votos nas áreas em litígio, mas apenas das urnas em que existam denúncias de irregularidades. A decisão sucede a três dias de protestos no país, com pelo menos sete mortos e conflitos entre os partidários do presidente Mahmoud Ahmadinejad e de seu principal adversário, Mir Hussein Mousavi, acerca do resultado da eleição presidencial.

Os resultados provisórios, que devem ser ratificados pelo conselho para que a reeleição seja oficial, deram a vitória ao atual presidente Mahmoud Ahmadinejad, com 62% dos votos. Mousavi contestou a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, alegando fraude generalizada e pediu que as eleições fossem canceladas. O Conselho, atualmente controlado pelos conservadores, é formado por seis clérigos islâmicos, designados pelo líder supremo do Irã, além de seis juristas nomeados pelo judiciário e aprovados pelo Parlamento. Os membros são eleitos por seis anos, sendo que metade dos integrantes é substituída a cada três anos.
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O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que é favorável a uma recontagem parcial dos votos da eleição presidencial da semana passada, caso isso seja necessário. A declaração de Khamenei foi divulgada nesta terça-feira, pela televisão estatal.
Milhares de iranianos realizaram novos protestos nesta terça-feira, tanto em favor do atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad, como do candidato reformista Mousavi. Foi o quarto dia de protestos, desde as autoridades anunciarem a vitória de Ahmadinejad, em um resultado contestado pelos oposicionistas, segundo os quais houve fraudes.
O Conselho, porém, recusou nesta terça-feira um pedido da oposição derrotada para que as eleições presidenciais do país realizadas na semana passada sejam anuladas. "Baseado na lei, a demanda desses candidatos para o cancelamento da votação, isso não pode ser considerado", disse o porta-voz do conselho, Abbasali Kadkhodai, à TV estatal
A surpreendente maioria absoluta do líder gerou uma onda de violência e de protestos em todo o país que na segunda-feira terminou com a morte de pelo menos sete pessoas, além de dezenas de feridos e detidos. Novas manifestações estão sendo convocadas por partidários de Ahmadinejad e Mousavi e estão marcadas para acontecer no mesmo local - a Praça Vali Asr, no centro de Teerã.
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