Crianças são torturadas por forças da Síria, diz Human Rights Watch
Relatório de ONG documenta ao menos 12 casos de brutalidade contra menores
NOVA YORK - Crianças com até 13 anos são um alvo particular do "excessivo" uso da violência força por forças do governo sírio que combatem manifestantes opositores, informou a ONG Human Rights Watch (HRW) em relatório divulgado nesta sexta-feira, 3.
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Embora a Organização das Nações Unidas (ONU) diga que centenas de crianças têm sido mortas na repressão nos últimos dez meses, o grupo de direitos humanos destaca casos de crianças alvejadas em suas casas ou nas ruas, ou ainda retiradas de escolas.
O grupo documentou 12 casos de crianças que foram torturadas em centros de detenção e disse que muitas mais podem ter sofrido violência semelhante. "Em muitos casos, as forças de segurança atacam crianças da mesma forma que têm atacado adultos", disse Lois Whitman, diretora da divisão de direitos das crianças do HRW, entidade sediada em Nova York.
O relatório do grupo disse que mais de cem pessoas que têm sido mantidas por forças de segurança descrevem "o excessivo uso da tortura em centros de detenção contra até mesmo prisioneiros mais jovens, além até dos 12 casos especificamente documentados".
"Crianças, algumas com apenas 13 anos, relataram ao HRW que autoridades as mantiveram em confinamento solitário, foram severamente espancadas e eletrocutadas, foram queimadas com cigarros e suspensas algemadas durante horas, a alguns centímetros do chão", diz o documento.
Os pais de um garoto de 13 anos, de Latakia, disseram que ele ficou detido por nove dias em dezembro após ser acusado de queimar fotografias do presidente sírio Bashar Assad, de incitar protestos e realizar atos de vandalismo contra carros das forças de segurança. Os oficiais de segurança queimaram o pescoço e as mãos dos menino com cigarro e jogaram água fervente em seu corpo, disseram seus pais.
Outro menino de 13 anos disse ao HRW que forças de segurança o torturaram por três dias numa instalação de segurança militar, após ele ter sido detido em maio. Ele ficou inconsciente após ser eletrocutado na barriga. "Quando eles me interrogaram pela segunda vez, me espancaram e me eletrocutaram novamente. Na terceira vez eles tinham alicates e arrancaram minha unha do pé", disse o menino, de acordo com o relatório.
O HRW pediu ao Conselho de Segurança da ONU que exija que o governo sírio encerre todas as violações aos direitos humanos e coopere com a investigação do Conselho de Direitos Humanos e com os monitores da Liga Árabe. As informações são da Dow Jones.
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