Cristina rebate acusação dos EUA sobre dólares venezuelanos
Presidente argentina afirma que acusação do FBI é exemplo de 'lixo na política internacional'
O governo da Argentina descreveu como "canalhice" a afirmação de um tribunal dos Estados Unidos de que os quase US$ 800 mil levados ilegalmente ao país sul-americano neste ano por um empresário venezuelano seriam destinados à campanha presidencial. A presidente Cristina Kirchner afirmou que a acusação é um exemplo de "lixo na política internacional" e sugeriu que qualquer pessoa que pense que uma mulher na chefia do governo é mais influenciável está errado. Veja também: Dólares 'venezuelanos' pagariam campanha de Cristina, diz FBI Venezuela diz que detenções nos EUA são 'guerra política' Três venezuelanos e um uruguaio com supostas ligações com o chamado "caso da mala", como ficou conhecido na Argentina, tiveram sua prisão anunciada na quarta-feira pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, acusados de "conspirar como agentes ilegais" da Venezuela nos Estados Unidos. Porém, segundo agências de notícias internacionais e jornais argentinos e americanos, o promotor federal Thomas Mulvihill teria dito ao juiz Robert Dube, durante uma audiência em Miami na quarta-feira, que "o dinheiro tinha como destino a campanha de Cristina Kirchner". Argentina e Venezuela mantêm relações próximas e o presidente Hugo Chávez declarou abertamente o apoio a então candidata governista e hoje mandatária argentina, Cristina Fernández de Kirchner. Antonini entrou na Argentina com uma maleta cheia de dinheiro não declarado em agosto - em plena campanha eleitoral -, a bordo de um avião alugado pelo governo argentino para levar funcionários da Argentina e da Venezuela de Caracas a Buenos Aires. Antonini, porém, acabou sendo detido pelas autoridades argentinas ao desembarcar. "Quando este senhor quis entrar na Argentina, quem o deteve foi o Estado argentino. O dinheiro deve ficar no país, segundo prevê o Código Aduaneiro", afirmou à Rádio 10 o ministro argentino da Justiça, Aníbal Fernández. "Agora aparece essa expressão (no processo norte-americano), e isso não é inocente. Isso visa manchar a imagem do governo argentino, manchá-la devido à presença de Chávez na Argentina. Eu não tenho dúvida de que isso parece ser uma canalhice fenomenal cujo objetivo é manchar a imagem da presidente", acrescentou. Ao final, referindo-se ao fato de Antonini ter desembarcado em Buenos Aires um dia antes de uma visita de Chávez ao país, o ministro disse: "Se o objetivo era entrar com uma maleta de dinheiro, ele poderia ter entrado no dia seguinte, no avião de Chávez, e ninguém teria percebido." Chávez mantém uma relação declaradamente conflituosa com os EUA e, em Buenos Aires, realizou vários atos populares de repúdio às políticas externas do presidente norte-americano, George W. Bush. Na quarta-feira, depois de os homens terem sido detidos e após a divulgação da peça processual, o ministro venezuelano das Relações Exteriores, Nicolás Maduro, afirmou que a manobra revelava que os americanos sempre estiveram por trás do caso da maleta. Prisões Os venezuelanos Carlos Kauffman, Moisés Maionica e Franklin Durán e o uruguaio Rodolfo Wanseele, presos em Miami, seriam acusados de pressionar o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson - todos radicados no sul da Flórida - a transportar o dinheiro à Argentina, ameaçando seus filhos, segundo o Miami Herald. Segundo a BBC, conversações entre Wilson e os acusados, comprovando as acusações, teriam sido gravadas por agentes do FBI, a polícia federal americana, com a anuência do próprio Wilson. A alfândega argentina flagrou a mala com dinheiro quando Wilson e autoridades do governo argentino chegavam em um jato particular à Argentina no dia 8 de agosto deste ano, dois dias antes do desembarque do presidente Hugo Chávez no país. Na ocasião, o governo do presidente Néstor Kirchner pediu que o caso fosse investigado e que Wilson fosse extraditado à Argentina para dar explicações sobre o caso, que gerou demissões nos dois governos. O episódio ficou conhecido, durante a campanha eleitoral, como "o caso da mala" e provocou a demissão do presidente da petroleira estatal venezuelana PDVSA na Argentina e vice-presidente geral da empresa, Diego Uzcategui Matheus. O filho dele, Daniel Uzcategui Spetch, de 18 anos, foi acusado de ter convidado Guido Antonini Wilson a embarcar no jatinho alugado pela estatal argentina Enarsa, na viagem realizada entre Venezuela e Argentina, dois dias antes da chegada do presidente venezuelano a Buenos Aires. Quando surgiu o escândalo, o presidente Chávez disse que era "caso de polícia" e destacou tratar-se de mais uma ação "conspirativa" do "império americano". O escândalo provocou também a demissão de Cláudio Uberti, um dos homens fortes da equipe do ministro do Planejamento argentino, Julio de Vido. Uberti estava a bordo do jato particular em que o empresário venezuelano embarcou. De Vido foi ministro de Néstor Kirchner e continua no governo da presidente Cristina Kirchner.
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