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Cuba ataca movimento de mulheres de presos políticos

22 de abril de 2008 | 14h 44
REUTERS

O governo de Cuba atacou na terça-feira

as Damas de Branco, grupo de esposas e mães de presos

políticos, acusando-as de fazer "provocações" a mando dos

Estados Unidos.

O grupo existe desde 2003, quando 75 dissidentes foram para

a prisão sob a acusação de trabalhar para o governo

norte-americano, sendo que 55 continuam detrás das grades. Até

agora, as manifestações pacíficas das mulheres eram toleradas.

Na segunda-feira, dez delas fizeram uma manifestação

sentando-se perto da Praça da Revolução, em Havana, para pedir

que o governo do presidente Raúl Castro liberte seus parentes.

Elas foram detidas, colocadas em um ônibus e levadas até suas

casas pela polícia.

Um comunicado oficial divulgado pela imprensa cubana

chamava a manifestação de "provocação... ordenada por seus

mestres ianques".

Havana nega a existência de presos políticos em Cuba e

rotula todos os manifestantes de "mercenários" pagos pelos

Estados Unidos.

As Damas de Branco, que ganharam o nome por marcharem

vestidas de branco aos domingos por uma avenida de Havana,

ficaram irritadas com o ataque do governo.

"Nosso objetivo é puramente humanitário, para libertar os

prisioneiros de março de 2003", disse uma das fundadoras,

Miriam Leiva.

Cerca de 100 partidários do governo interromperam a

manifestação das Damas de Branco na segunda-feira, gritando

palavras de ordem e insultos às mulheres. Mais tarde, ajudaram

a polícia a removê-las dali, em alguns casos arrastando-as até

os ônibus.

O governo afirma que interveio para salvar as mulheres dos

ataques dos patriotas.

A televisão cubana não mostrou imagens do tratamento

ríspido recebido pelas mulheres. Em vez disso, veiculou fotos

das mulheres em encontro com Michael Parmly, chefe do Setor de

Interesses dos Estados Unidos em Havana -- chamado por um

comentarista de "quartel-general da contra-revolução cubana".

Também levou ao ar trechos de uma teleconferência feita na

sexta-feira com Ileana Ros-Lehtinen, republicana da Flórida

nascida em Cuba, uma importante voz contra os Castro no

Congresso.

Cuba acusa a parlamentar de encorajar as mulheres a

desestabilizar o país.

Ilegal mas tolerada, a Comissão Cubana pelos Direitos

Humanos estima que haja mais de 200 presos políticos em Cuba,

com penas de até 28 anos de prisão. A Anistia Internacional

reconhece 58 pessoas presas somente por terem manifestado suas

opiniões.

O número de presos políticos, porém, caiu ligeiramente desde

que Raúl Castro substituiu o irmão Fidel, em 31 de julho de

2006.

(Reportagem adicional de Esteban Israel e Nelson Acosta)



Tópicos: CUBA, DAMAS, DEBRANCO