Cuba rebate críticas dos EUA sobre morte de dissidente
O governo de Cuba rebateu as críticas dos Estados Unidos pela morte do dissidente Wilman Villar, que faleceu após uma greve de fome. Em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores cubano afirmou que a morte do dissidente é lamentável, mas que se trata de um fato incomum em Cuba. O ministério diz ainda que a Casa Branca e o Departamento de Estado norte-americano mostram uma política permanente de agressão e intromissão nos assuntos internos de Cuba.
O governo cubano também acusa os Estados Unidos de hipocrisia, questionando o que o governo norte-americano fez para evitar a morte de um imigrante indiano que estava em greve de fome e faleceu em Illinois no último dia 3.
Villar, de 31 anos, morreu na noite de quinta-feira, em virtude das complicações de uma pneumonia, após uma greve de fome de 50 dias. Ele estava hospitalizado desde o último dia 14 e estava em coma. Ontem, a Anistia Internacional afirmou que estava prestes a declarar Villar como "prisioneiro de consciência". Segundo o manual da entidade, um prisioneiro de consciência é uma pessoa detida ou de outro modo fisicamente restringida devido às suas crenças politicas, religiosas, entre outras, e que não tenha utilizado violência ou defendido a violência e o ódio.
A Anistia informou também que classificou outros três dissidentes cubanos como prisioneiros de consciência: Ivonne Malleza Galano e seu marido, Ignacio Martinez Montejo, que foram presos no dia 30 de novembro do ano passado, quando faziam uma manifestação pacífica contra o governo em Havana; e Isabel Haydee Alvarez, que estava passando pelo local na hora e protestou contra a prisão do casal.
A imprensa estatal cubana afirmou que Villar era um prisioneiro comum e negou que ele fosse verdadeiramente um dissidente, ou mesmo que estivesse em greve de fome. Até recentemente, ele era pouco conhecido mesmo entre outros dissidentes, que afirmam que ele começou a participar das ações contra o governo no ano passado. Ele foi preso em novembro durante um protesto na cidade de Santiago e as autoridades o teriam ameaçado de puni-lo por um caso anterior de violência doméstica se ele não parasse de causar problemas, segundo informou a Anistia Internacional. As informações são da Associated Press.
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