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Cúpula da FAO prepara plano para 'eliminar a fome'

03 de junho de 2008 | 22h 50
STE - REUTERS

A cúpula da FAO (órgão das Nações Unidas

para alimentação e agricultura) vai preparar na quarta-feira um

plano emergencial para mobilizar ajuda, reduzir barreiras

comerciais e investir na agricultura de países pobres, a fim de

conter a onda de fome que afeta ou ameaça quase 1 bilhão de

pessoas.

"Nós nos comprometemos a eliminar a fome e assegurar comida

para todos, hoje e amanhã", diz o esboço da declaração da

cúpula de três dias em Roma. Na terça-feira, líderes de cerca

de 44 países participaram da sessão inaugural.

A FAO convocou a cúpula diante do aumento global no preço

dos alimentos, que pode colocar mais 100 milhões de pessoas

entre as 850 milhões que passam fome no planeta.

Nos últimos dois anos, o preço de alimentos básicos, como

arroz, milho e trigo, mais que dobrou, e há estimativas de que

eles possam subir mais 50 por cento na próxima década.

Nos discursos de terça-feira, Brasil e EUA defenderam os

biocombustíveis, mas outros países fizeram críticas a essa

fonte energética. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva

atribuiu a alta global de preços ao "protecionismo intolerável"

dos países ricos no comércio.

A declaração preliminar propõe "estimular a produção de

alimentos e aumentar o investimento em agricultura, para

resolver os obstáculos ao acesso a alimentos e usar os recursos

do planeta de forma sustentável para as presentes e futuras

gerações."

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que a fome é

"degradante" e que seria necessário gastar entre 15 milhões e

20 milhões de dólares por ano para aumentar a oferta de

alimentos em 50 por cento até 2030 para a atender à demanda.

A presença dos presidentes Mahmoud Ahmadinejad (Irã) e

Robert Mugabe (Zimbábue) provocou protestos de delegados da FAO

e ativistas. E eles chegaram com uma retórica afiada, com

discursos agressivos contra o Ocidente.

Os EUA, maiores produtores mundiais de biocombustíveis ao

lado do Brasil, se viram na defensiva nessa questão, já que o

uso intensivo de terras para produção é apontado como um dos

fatores por trás do aumento dos preços dos alimentos.

"Não acho que os Estados Unidos recebam crédito o bastante

por fornecer mais de metade de toda a ajuda alimentar",

argumentou o secretário de Agricultura dos EUA, Ed Schafter, em

entrevista coletiva.

Houve amplo consenso sobre a necessidade de reduzir

barreiras comerciais, inclusive as restrições às exportações

adotadas por alguns países para preservarem seus estoques na

atual crise.

O secretário britânico de Desenvolvimento Internacional,

Douglas Alexander, disse que os países ricos "subsidiam a

agricultura em 1 bilhão de dólares por dia, o que custa aos

agricultores dos países em desenvolvimento estimados 100

bilhões de dólares por ano em faturamento perdido".



Tópicos: FAO, FOME