Discurso de líder do Irã 'preocupa' Brasil, diz Itamaraty
Governo brasileiro reagiu a discurso de Ahmadinejad acusando Israel de racismo.

O Ministério das Relações Exteriores emitiu nesta terça-feira um comunicado lamentando as declarações contra Israel feitas pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, durante uma conferência antirracismo da ONU na segunda-feira.
Diversos diplomatas de países europeus abandonaram a reunião quando Ahmadinejad mencionou Israel e disse que imigrantes judeus da Europa e dos Estados Unidos foram enviados ao Oriente Médio para estabelecer "um governo racista".
Leia mais na BBC Brasil: Diplomatas deixam reunião da ONU durante discurso do líder do Irã
"O governo brasileiro tomou conhecimento, com particular preocupação, do discurso do presidente iraniano que, entre outros aspectos, diminui a importância de acontecimentos trágicos e historicamente comprovados, como o Holocausto", disse o Itamaraty.
"O governo brasileiro considera que manifestações dessa natureza prejudicam o clima de diálogo e entendimento necessário ao tratamento internacional da questão da discriminação."
A nota também destaca que "o Brasil atribui grande importância à Conferência de Revisão de Durban sobre Discriminação Racial, que ocorre em Genebra entre 20 e 24 de abril. Para alcançar os objetivos da Conferência, o engajamento de todos no diálogo internacional é crucial", afirma a nota do Itamaraty.
Segundo o Ministério de Relações Exteriores, o governo brasileirovai aproveitar a visita de Ahmadinejad ao Brasil, em maio,"para reiterar ao governo iraniano suas opiniões sobre esses temas".
A delegação brasileira na conferência da ONU é chefiada peloministro-chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção daIgualdade Racial, Edson Santos.
Obama
Também nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, lamentou as declarações de Ahmadinejad, dizendo que elas "não ajudam, são prejudiciais".
"Eu acho que na verdade isso fere a posição do Irã no mundo", disse Obama.
O mandatário americano, entretanto, disse que as declarações não mudam a estratégia adotada pelos Estados Unidos nas negociações pelo Irã, baseada em uma "diplomacia direta" e "sem que muitas opções sejam retiradas da mesa".
"Nós vamos continuar buscando a possibilidade de melhores relações e de uma resolução para algumas das questões críticas em que tem havido diferenças (entre os dois países), principalmente no tocante à questão nuclear."
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