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Egito anuncia plano de cessar-fogo imediato em Gaza

Proposta inclui fim do bloqueio a Faixa, mas não menciona desarmamento do Hamas, como quer Israel

06 de janeiro de 2009 | 19h 19
Agências internacionais

O Egito disse nesta terça-feira, 6, que está propondo um cessar-fogo imediato entre Israel e os palestinos em Gaza, a ser seguido por negociações para um acordo, incluindo o fim do bloqueio a Gaza. O presidente do Egito, Hosni Mubarak, apresentou a proposta em uma rápida declaração após se reunir com o líder francês, Nicolas Sarkozy, em um resort egípcio.    

 

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A proposta não menciona muitos dos elementos que diplomatas disseram estar sob discussão, como uma força internacional para evitar que o Hamas receba armamentos. Mubarak não disse que papel o Hamas desempenharia nas conversas que ele propõe. Israel e os europeus que têm atuado diplomaticamente não falam com o grupo islâmico.

A proposta egípcia, lida por Mubarak, contém os seguintes pontos:

- Israel e as facções palestinas devem aceitar um cessar-fogo imediato por um período limitado, o que permitiria a passagem com segurança de ajuda humanitária para Gaza e daria ao Egito tempo para continuar seus esforços para um amplo e duradouro armistício.

 

- O Egito convidaria tanto Israel quanto o lado palestino para um encontro urgente a fim de obter arranjos e garantias que assegurem que a atual escalada não volte a ocorrer e lidar com as causas, incluindo a proteção de fronteiras, reabrindo os pontos de travessia e levantando o bloqueio imposto por Israel.

- O Egito convidaria novamente a Autoridade Palestina e todas as facções palestinas para responder aos esforços egípcios para obter uma reconciliação nacional.

 

Condições israelenses

 

Israel estabeleceu nesta terça a condição considerada chave para um cessar-fogo na Faixa de Gaza, afirmando que um acordo de trégua deve incluir mecanismos que previnam que o grupo islâmico Hamas restabeleça sua estrutura bélica. "Prevenir que o Hamas se rearme é fundamento necessário para qualquer tipo de acordo para calma", afirmou Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro Ehud Olmert.

 

Mais tarde, o ex-primeiro ministro britânico e negociador especial para o Oriente Médio, Tony Blair, afirmou que a trégua em Gaza só seria possível se os túneis na fronteira com o Egito, usados para fornecer armas aos militantes do Hamas, forem fechados. Regev disse que esta foi a mensagem de Olmert para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que está na região para negociar o cessar-fogo para conter o conflito que já matou mais de 600 pessoas e feriu pelo menos 2.900.

 

O porta-voz afirmou que o Hamas, que contrabandeia armas para dentro da Faixa de Gaza por túneis na fronteira com o Egito, usou a trégua de seis meses suspensa em dezembro para se rearmar, ampliando de 20 para 40 quilômetros o alcance de seus foguetes.

 

"Sob nenhuma circunstância concordaremos com uma nova calma que permita que o Hamas amplie o alcance para 60 quilômetros e foguetes caiam nos arredores de Tel Aviv", afirmou. Israel, cujos líderes disputam o Parlamento nas eleições de 10 de fevereiro, deixou claro que sua prioridade na ofensiva em Gaza é garantir a segurança de seus cidadãos.

 

Em declarações à Rádio 4 da BBC, Blair disse que todas as partes "responsáveis" na região deveriam trabalhar a favor de uma suspensão imediata das hostilidades.O Hamas exige o fim do bloqueio econômico contra o território palestino como parte de qualquer trégua.



Tópicos: Egito, Israel, Hamas, Gaza