_Oriente Médio

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009, 09:18 | Online

Egito divulga plano para trégua; mortos em escola de Gaza são 42

NIDAL AL-MUGHRABI - REUTERS

GAZA - Israel e Hamas estudam na quarta-feira a proposta egípcia por um cessar-fogo na Faixa de Gaza, que recebeu apoio imediato dos Estados Unidos e da Europa, horas depois de tanques israelenses terem matado 42 palestinos em uma escola da ONU.

Mas autoridades israelenses disseram também que o governo está discutindo uma ampliação da ofensiva iniciada há 12 dias, sob a justificativa de conter os disparos de foguetes de militantes islâmicos contra o território do Estado judeu.

Em novos confrontos, 11 palestinos foram mortos por ataques israelenses, segundo fontes médicas. Pelo menos oito foguetes do Hamas caíram no sul de Israel, sem deixar vítimas.

Uma fonte militar israelense disse que Israel pretende suspender as operações militares nos arredores da Cidade de Gaza diariamente entre 13h e 16h (9h e 12h em Brasília), a partir de quarta-feira, para permitir a passagem de ajuda por um "corredor humanitário" que está sendo criado.

Funcionários palestinos em Gaza disseram ter sido informados por Israel de que esse horário deve ser usado para que o comércio funcione e para que funerais sejam realizados. Agências humanitárias alertam para as crescentes dificuldades enfrentadas pelos 1,5 milhão de habitantes do território.

Fontes do governo israelense disseram que os ministros provavelmente adiarão a votação sobre o início de uma fase de guerra urbana na ocupação --que por enquanto se limita a dividir da Faixa de Gaza em duas partes e cercar as principais cidades da área. Tal adiamento daria uma chance para a proposta egípcia de cessar-fogo.

Israel começou a bombardear a Faixa de Gaza no dia 27 de dezembro. No sábado passado, começou uma ofensiva terrestre.

Uma autoridade palestina disse que membros do Hamas se reuniram com o presidente do Egito, Hosni Mubarak, e estão discutindo a proposta de trégua no conflito, que já matou mais de 600 palestinos.

Em Nova York, onde o Conselho de Segurança da ONU discutiu a situação de Gaza, a embaixadora de Israel, Gabriela Shalev, disse a jornalistas: "Tenho certeza de que (a proposta egípcia) será considerada, e vocês descobrirão se foi aceita. Mas a levaremos muitíssimo a sério."

Israel, que perdeu três soldados e sete civis no conflito, exige garantias de que o Hamas não terá mais condições de contrabandear armas por meio de túneis sob a fronteira com o Egito. O Hamas exige o fim das agressões israelenses e a suspensão do bloqueio à Faixa de Gaza.

Numa frequência usada por uma rádio da Faixa de Gaza, um locutor, dizendo falar em nome do Exército de Israel, alertou a população da cidade de Rafah (sul) a deixar suas casas até 8h de quinta-feira.

Ele disse que os militares de Israel vão destruir várias casas que supostamente escondem os poços que dão acesso aos túneis.

(Reportagem adicional de Dan Williams e Adam Entous em Jerusalém, Aziz el-Kaissouni em Sharm el-Sheikh e Claudia Parsons e Louis Charbonneau na sede das Nações Unidas)

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