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Em campanha histórica, Obama inova e quebra recordes

Com a internet, democrata foi o candidato que mais arrecadou dinheiro na história dos Estados Unidos

04 de novembro de 2008 | 7h 05
Gabriel Pinheiro - estadao.com.br

A campanha do novo presidente americano, Barack Obama, ficará na história dos Estados Unidos por vários fatores. Primeiro negro que chegou à Presidência do país, ele também foi o primeiro candidato a dispensar o financiamento público de campanha, optando apenas pelas contribuições de seus apoiadores - com isso, ele levantou mais de US$ 600 milhões até setembro, um recorde de arrecadação. O senador por Illinois ainda precisou vencer Hillary Clinton nas eleições primárias mais disputadas de que se tem notícia para se tornar a escolha presidencial da legenda, e explorou como ninguém um poderoso recurso que esteve presente durante toda sua campanha: a internet.   Foi principalmente através da rede mundial de computadores que o democrata pediu contribuições, em vídeos nos quais ele se dirigia diretamente ao eleitorado. Milhões de pequenas contribuições realizadas no site de Obama deram a ele vantagem significativa sobre o rival republicano John McCain em publicidade. Com mais dinheiro em caixa, na reta final da campanha ele pôde, por exemplo, comprar meia hora de espaço em grandes emissoras americanas para mostrar em rede porquê era a melhor escolha para o país.   Veja também: Obama faz história e se elege presidente dos EUA Estadao.com.br na terra dos Obamas Diário de bordo da viagem ao Quênia  Confira os números das pesquisas nos Estados Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Recusar o financiamento público foi um risco: criado em 1976, o sistema poderia assegurar ao candidato mais de US$ 80 milhões em contribuições nos últimos e cruciais meses da corrida presidencial. Confiando em sua capacidade de mobilizar o eleitorado, demonstrada desde as prévias democratas, Obama justificou sua escolha dizendo que "o financiamento público como existe hoje está falido". Ao anunciar a decisão ele também aproveitou para atacar McCain, ao afirmar que o Comitê Nacional Republicano está sendo alimentado por "lobistas de Washington e grupos com interesses especiais."   Propostas   A campanha do democrata defendeu essencialmente a mudança nos rumos do país. Aproveitando a impopularidade do governo de George W. Bush, Obama tentou capitalizar votos mostrando-se como uma nova opção para Washington.   Na política externa, por exemplo, ele defende muitas vezes o diálogo em vez de ações militares - em uma nação enfadada pelas caras guerras sem previsão de final no Iraque e Afeganistão, a proposta foi bem-recebida por muitos setores da sociedade. O argumento foi imediatamente criticado por McCain, que acusa o rival de querer "negociar sem condições prévias com terroristas" e representar um risco para os Estados Unidos ao querer colocar tudo a perder nos países árabes na contra o terrorismo.   Os recorrentes ataques da campanha republicana sobre o despreparo de Obama para enfrentar as questões de segurança nacional levaram o democrata a optar pelo senador Joe Biden, com indiscutível experiência em política externa acumulada em mais de três décadas no Senado, para vice-candidato. Considerado experiente nas questões externas graças a uma longa atuação nas Forças Armadas, McCain classificou a escolha de Biden como "sábia", mas logo destacou que ele e o vice democrata tem visões "muito diferentes" do cenário global.   A crise econômica, que eclodiu nos últimos meses da disputa, parece ter sido outro fator que veio a favor de Obama. Enquanto o Congresso discutia a aprovação do pacote de US$ 700 bilhões para resgatar o mercado de crédito, o democrata começou uma massiva campanha para relacionar a Bush a McCain, reforçando que o senador pelo Arizona votou várias vezes a favor das medidas do presidente que levaram ao colapso econômico.   O discurso foi bem aceito pelos eleitores e em pouco tempo diversas pesquisas no país apontavam que Obama era visto como o candidato com as melhores propostas para salvar a economia americana.   Questão racial   Embora abordado de forma velada, o fato de Obama ser negro não ficou de lado na disputa presidencial. Em março, o democrata disse em um discurso na Filadélfia, ainda nas eleições primárias, que "em vários momentos, a imprensa me definiu como negro demais ou negro de menos". Em julho, ele alertou aos eleitores para o preconceito que poderia tomar conta da eleição. "Vocês sabem, ‘ele não é patriota o suficiente, ele tem nome engraçado, ele não parece com todos os outros presidentes que estão nas notas do dólar’", afirmou Obama em um comício no Missouri.   A campanha de McCain não mordeu a isca e não usou explorou a temática racial contra o democrata, concentrando-se em retratar o rival como inexperiente. Ao longo da corrida à Casa Branca, o republicano questionou as credenciais de Obama, tentando suscitar nos eleitores o medo de um possível governo do senador de 47 anos que estreou na política nacional há apenas quatro anos.   (Matéria atualizada às 3h de 5/11)