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Em meio a pressão por sanções, Brasil defende negociar com Irã

Para chanceler Celso Amorim, 'não se deve considerar que tudo que é proposto por um lado é só para enganar'

09 de fevereiro de 2010 | 17h 02
Renata Veríssimo e Tânia Monteiro - Agencia Estado

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reiterou nesta terça-feira, 9, que ainda há campo para negociação com o Irã para solucionar o impasse provocado pela decisão do país de aumentar o grau de enriquecimento de seu urânio.  EUA, França e Rússia já sinalizam a adoção de sanções contra o país. 
 

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 "É claro que é preciso testar a disposição do país, mas tem essa chamada para a mesa de negociação.", disse Amorim. " Se há dúvidas sobre a verdadeira intenção do Irã, vamos fazer o que o presidente Mahmoud Ahmadinejad  disse que faria, até recebendo mais tarde o que ele quer, que é o combustível, então, chama para negociar".

Para o ministro,  a postura de, a priori, considerar que tudo que é proposto por um lado é só para enganar é equivocada. 

Amorim disse que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) só deve tratar do assunto quando for discutir sanções ao país. Mas o ministro disse que, até agora, o assunto não está sendo tratado neste nível.

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"Nós temos os mesmos objetivos das potências ocidentais. Não queremos que o Irã tenha armas nucleares. Apenas reconhecemos que é um direito ter um programa pacífico ", afirmou.


Ao ser questionado se sanções duras poderiam atrapalhar a negociação, Amorim disse que é preciso olhar a história. Ele disse que há sempre pedidos por medidas "mais e mais severas" e isso é perigoso, segundo ele, porque pode passar de um limite que coloque em risco a paz. "Porque nós não vemos realmente que seja o caso, acho que haveria possibilidade de diálogo", insistiu.

Em cerimônia no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Defesa, Nelson Jobim defendeu a postura da diplomacia brasileira.


Questionado se valia a pena comprar briga com o mundo, que quer a aplicação de sanções contra a decisão iraniana, para ficar ao lado deste país, Jobim disse que o  Brasil nunca é contra ninguém. "

Nossas teorias são sempre de sentar à mesa para conversar. O Brasil nunca tomou posição de radicalização. Nós no Brasil temos tradição de resolver as coisas com o diálogo. Vamos conversar e ver o que vai acontecer", disse.

A posição brasileira é semelhante a da China, que também defende as negociações antes da adoção de sanções mais duras ao país. Entre os países com assento permanente no Conselho de Segurança, EUA, França e Reino Unido defendem a adoção de sanções. A Rússia, tradicional aliada de Teerã, tem dado sinais de que pode apoiar punições ao regime dos aiatolás.