Equador culpa secretário da OEA por rompimento entre Bogotá e Caracas
Chanceler equatoriano também vetou Insulza como mediador da reaproximação entre seu país e a Colômbia
O chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, culpou nesta quinta-feira, 22, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, por ter realizado uma reunião do conselho permanente do organismo que culminou no rompimento de relações diplomáticas entre a Venezuela e a Colômbia. Para Patiño, Insulza tem responsabilidade na crise.

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Além disso, o Equador vetou Insulza como mediador no processo para restabelecimento das relações diplomáticas do país com a Colômbia. "Já não vamos considerar a OEA, evidentemente", disse Patiño em uma coletiva de imprensa.
"Não se deve tratar de forma irresponsável um assunto que poderia colocar em risco a manutenção da paz na região", condenou Patiño, que recriminou Insulza por não ter feito mais consultas aos países membros com o intuito de não atrasar a reunião.
"Se o Centro Carter tem sido um fator de mediação, poderíamos seguir com eles, ou talvez nem seja necessário, se a relação com o novo governo colombiano (Juan Manuel Santos) melhorar, mas não vamos retomar de nenhuma maneira" o papel de Insulza, afirmou o diplomata equatoriano.
Patiño garantiu que o Equador pediu "insistentemente" a Insulza para adiar a reunião no qual foram analisadas as denúncias da Colômbia sobre a suposta presença de guerrilheiros das Farc e do ELN em território venezuelano.
Insulza, por sua vez, pediu em nome da OEA que Colômbia e Venezuela "acalmem os ânimos" e busquem um "caminho" para superar a ruptura de relações, e ofereceu a cooperação da organização para a superação da crise.
Nesta quinta, o vice-presidente eleito da Colômbia, Angelino Garzón, se reuniu com seu colega equatoriano, Lenin Moreno, para conversar sobre o estado das relações diplomáticas entre os dois países e sobre seu processo de plena restauração, após o Equador ter rompido os laços com o país vizinho.
A crise foi originada dois dias depois de um bombardeio colombiano em um acampamento clandestino das Farc em território equatoriano. O Equador considerou que a Colômbia havia violado sua soberania ao realizar a operação sem aviso prévio nem permissão das autoridades de Quito.
Como consequência da ofensiva, morreram 26 pessoas, entre elas o então "porta-voz" dos rebeldes, "Raúl Reyes", quatro universitários mexicanos e um cidadão equatoriano.
Devido ao ataque, a Justiça equatoriana abriu um processo contra o presidente eleito da Colômbia, que era ministro de Defesa na época, e ordenou sua prisão preventiva por ter autorizado a incursão em território do Equador.
Desde o fim do ano passado, Quito e Bogotá desenvolvem um processo de aproximação diplomática que, até o momento, desencadeou a designação de encarregados de negócios e agregados militares.
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