Equipe de Obama investiga Clinton para a nomeação de Hillary
Assessores checam se finanças e organização do ex-presidente poderiam conflitar com possível cargo da mulher
Os assessores do presidente dos EUA eleito, Barack Obama, começaram a rever as finanças e atividades do ex-presidente Bill Clinton para considerar a possibilidade de nomear a ex-primeira-dama, Hillary Rodham Clinton, como secretária de Estado, segundo democratas próximos ao novo governo afirmaram no domingo, 16, ao The New York Times. Veja também: Obama promete fechar Guantánamo Principais desafios de Obama Nomes cotados para o gabinete de Obama Quem são os eleitores de Obama Trajetória de Obama Cobertura completa das eleições nos EUA A revisão da ex-presidência democrata sugere a seriedade da indicação de Obama para que Hillary, sua ex-rival nas primárias do partido, forme o futuro gabinete. Ele se encontrou com a senadora em Chicago na quinta-feira para falar sobre a proposta. Pessoas próximas aos dois afirmaram que Obama deve pedir para que ela assuma o cargo. Um time de advogados, que tenta facilitar a potencial nomeação, passou o fim de semana investigando a organização filantrópica de Bill Clinton, suas interações com governos estrangeiros e laços com companhias farmacêuticas. Enquanto a fundação de Clinton foi líder em esforços contra a Aids e contra a pobreza e as mudanças climáticas no mundo, ele também fez milhões falando sobre taxas e contribuições com oficiais e negociadores estrangeiros interessados em políticas governamentais. Os conselheiros de Obama discutem como Clinton poderia evitar um conflito de interesses com os deveres de sua mulher caso ela assuma o cargo de secretária de Estado. "Este é o primeiro obstáculo importante", disse um dos assessores de Obama. "Clinton faz um bom trabalho. Ninguém quer que seja interrompido, mas a estrutura para evitar conflitos deve ser pensada", afirmou. Apoio republicano A idéia de ter a senadora democrata Hillary Clinton na chefia do Departamento de Estado do governo de Barack Obama foi recebida com entusiasmo por caciques da oposição republicana. Atraídos por sua experiência em política externa, o senador Jon Kyl, vice-líder do Partido Republicano, o ex-secretário de Estado Henry Kissinger e o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, elogiaram a provável nomeação de Hillary para o principal posto da diplomacia americana. "Ela tem a experiência e o temperamento necessário para isso e acredito que ela seria bem-recebida ao redor do mundo", afirmou o senador Jon Kyl. "Acredito que seria uma indicação extraordinária", emendou Kissinger. "Se for verdade, a escolha dá incríveis indicações, entre elas a enorme coragem do presidente eleito porque é necessário grande bravura para nomear alguém com uma personalidade tão forte para um cargo tão notável." Segundo Kissinger, os EUA vivem um período no qual o partidarismo tem de ter um papel secundário na política. "Estamos diante de um momento de enorme complexidade, mas também de oportunidades extraordinárias." Para o governador Schwarzenegger, a escolha da senadora como secretária de Estado seria uma "jogada excelente" de Obama. O senador democrata Byron Dorgan disse que, se Hillary for mesmo indicada, o Senado aprovaria sua nomeação sem problemas. "Ela tem boas relações com os dois partidos", disse. Assessores de Hillary e Obama confirmaram que, durante reunião em Chicago na quinta-feira, os dois democratas discutiram o cargo de secretária de Estado. No entanto, a senadora manteve-se em silêncio no fim de semana sobre o suposto convite. De acordo com democratas, Obama também se encontrou com o governador do Novo México, Bill Richardson, para conversar sobre o cargo. O presidente eleito deve se reunir nesta segunda em Chicago com seu antigo rival, o senador John McCain, para discutir como os dois podem trabalhar juntos durante o mandato de Obama na Casa Branca. Renúncia Obama renunciou no domingo ao seu cargo no Senado pelo Estado de Illinois. "Hoje, estou terminando uma jornada para começar outra", afirmou o presidente eleito em carta publicada em jornais de Illinois. Seu sucessor no Senado será indicado pelo governador de Illinois, o democrata Rod Blagojevich. Obama anunciou ainda três nomes que integrarão sua equipe na Casa Branca. Em comunicado divulgado pelo seu escritório de transição, Obama nomeou Pete Rouse como seu principal assessor, enquanto Mona Sutphen e Jim Messina atuarão como chefes-adjuntos de seu gabinete. Rouse trabalhou por mais de 30 anos no Congresso. Mona e Messina fazem parte da equipe de transição de Obama.
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