Escalada de violência aumenta pressão sob Assad
Presidente sírio promete dar fim à insegurança após encontro com chanceler da Rússia, um dos poucos aliados do regime.

O presidente da Síria, Bashar Al Assad, voltou a prometer que dará um fim à violência no país, em meio ao isolamento internacional do regime e a relatos de forte repressão na cidade de Homs.
A declaração de Assad foi citada nesta terça-feira pelo chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, que esteve em Damasco.
A visita do diplomata ocorre após a tentativa de americanos, europeus e da Liga Árabe de impor sanções ao regime de Assad, medida vetada por Rússia e China, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.
O ministro do Exterior russo também afirmou que Assad vai anunciar em breve uma data para um referendo sobre a Constituição do país.
"Nós confirmamos nossa prontidão para agir em favor de uma solução rápida para a crise baseada no plano apresentado pela Liga Árabe", disse Lavrov, que se referia a um plano proposto pela Liga Árabe no início de novembro.
Embaixadores árabes
Não é a primeira vez que Assad promete que irá conter a violência e dialogar com a oposição. Grupos oposicionistas classificaram a declaração de "promessa vazia".
Enquanto países ocidentais pedem o afastamento de Assad, nesta terça-feira os países do Golfo Pérsico retiraram, em uma ação coordenada, seus embaixadores de Damasco.
Por meio de um comunicado divulgado nesta terça-feira, os seis países-membros do Conselho de Cooperação do Golfo, que inclui Arábia Saudita, Catar e os Emirados Árabes Unidos, anunciaram, ainda, que estão expulsando os diplomatas sírios de seus territórios.
Os países do grupo afirmaram ainda que "não há motivos para permanecer (com embaixadores em Damasco) depois de o regime sírio ter rejeitado todas as tentativas (de negociação) e ter abortado todos os honestos esforços árabes para resolver a crise".
O documento ainda classifica a violência que já perdura por 11 meses na Síria como "massacre em massa" e pede que os países da Liga Árabe adotem "medidas decisivas" nas próximas semanas.
Países europeus como França, Itália, Espanha, Bélgica, Grã-Bretanha e Holanda também convocaram seus embaixadores em Damasco para consultas, assim como os Estados Unidos, que anunciaram na última segunda-feira o fechamento de sua embaixada na Síria.
Ataque a Homs
A visita de Lavrov à Síria ocorre simultaneamente a ataques das forças do governo contra a cidade de Homs, um bastião da insurgência contra Assad.
Segundo o repórter da BBC Paul Wood, um dos poucos jornalistas estrangeiros na cidade, o Exército sírio retomou os ataques com morteiros e disparos de metralhadoras pesadas logo ao amanhecer.
Wood informou ainda que tanques de fabricação russa foram vistos perto do centro da cidade, mas ainda não há sinais de um ataque terrestre, algo temido por muitos moradores de Homs.
Centenas de pessoas morreram na cidade desde sexta-feira, segundo ativistas e testemunhas. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
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