Espanha: Garzón proclama inocência em audiência final
O juiz espanhol Baltasar Garzón disse nesta quarta-feira que o desamparo das vítimas do franquismo foi o motor que deu impulso à sua tentativa de investigar os crimes da Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e da ditadura de Francisco Franco, que durou na Espanha até 1975. Garzón discursou no último dia de audiência na Suprema Corte espanhola em seu julgamento por suposto abuso de poder. O juiz teria prevaricado, segundo a acusação, porque teria ignorado a Lei da Anistia de 1977 na Espanha.
"Eu tomei essas decisões porque considerei que eram as mais apropriadas", disse Garzon. "Sobretudo fui guiado pela defesa e o desamparo das vítimas, que são, nesse tipo de crime, sempre o elemento principal que todo juiz deve defender", afirmou o magistrado. "A minha consciência está tranquila", afirmou Garzón. As palavras de Garzón encerraram três semanas de audiências. Garzón, de 56 anos, abriu a investigação sobre os crimes da ditadura franquista em 2008, no contexto de crimes contra a humanidade. Segundo ele, 114 mil pessoas estão desaparecidas na Espanha desde 1936.
A acusação popular contra Garzón foi aberta pela organização ultraconservadora espanhola Manos Limpias, que pede o afastamento do magistrado da sua profissão por 20 anos. Durante o julgamento, Garzón lembrou que outras investigações semelhantes, sobre os crimes da ditadura chilena de Augusto Pinochet (1973-1990), ou sobre os crimes do repressor argentino Adolfo Scilingo, cometidos durante a ditadura militar na Argentina (1976-1983) não o levaram ao banco dos réus. Não existe um prazo fixo para a Suprema Corte emitir uma sentença ou absolver Garzón.
As informações são da Associated Press.
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