Estabilidade é tarefa urgente no Tibete, diz governo chinês
Protestos e aproximação do ano novo tibetano faz Pequim aumentar vigilância na região
PEQUIM - A região chinesa do Tibete tem a urgente tarefa de manter a estabilidade, e todos os funcionários do governo precisam ficar atentos por ocasião do Ano Novo tibetano e do quarto aniversário de uma onda de distúrbios, disse um jornal estatal nesta segunda-feira, 6.

A China intensificou a vigilância na Região Autônoma do Tibete e em outras áreas com presença étnica tibetana depois de uma recente série de autoimolações e protestos esporádicos contra o domínio chinês, principalmente nas províncias de Sichuan e Gansu.
Sem mencionar esses incidentes, o Diário do Tibete disse que a região enfrenta o premente desafio de manter a estabilidade, especialmente em março, quando se completam quatro anos da onda de distúrbios nas regiões tibetanas da China. O Losar (Ano Novo tibetano) cai em 22 de fevereiro.
A China controla o Tibete desde 1950, quando a região foi invadida por tropas comunistas chinesas. O governo chinês rejeita as críticas de que estaria solapando a cultura e a religião locais e afirma que seu domínio acabou com a servidão e levou desenvolvimento a uma região antes atrasada.
O Diário do Tibete afirmou, citando uma nota do Partido Comunista, que os departamentos governamentais em todos os níveis "devem dedicar todos os seus esforços para a manutenção de uma situação social estável e unificada na nossa região".
As autoridades precisam "ter a cabeça tranquila, e reconhecer plenamente a extrema importância e urgência do trabalho de manter a estabilidade", além de "implementar sem avareza todas as medidas" destinadas a esse fim, disse o jornal.
Entidades de amparo aos tibetanos dizem que até sete pessoas foram mortas a tiros e dezenas ficaram feridas durante a repressão governamental a protestos do mês passado em localidades com presença étnica tibetana na província de Sichuan.
O governo chinês atribui repetidamente os protestos a tibetanos no exílio, incluindo o seu líder espiritual, o dalai-lama, que fugiu para a Índia em 1959, após uma frustrada rebelião. O governo tibetano no exílio disse nesta segunda-feira que a onda de autoimolações indicam "que as políticas chinesas no Tibete atingiram novos níveis de repressão".
O jornal estatal China Daily afirmou nesta segunda-feira que o desemprego juvenil provavelmente também contribuiu para os recentes incidentes no condado de Seda, província de Sichuan. "A maioria da multidão é de jovens que não tem empregos", disse um dirigente regional ao jornal. "Então a prioridade é melhorar a qualidade de vida no condado de Seda e dar suficientes oportunidades de emprego para os jovens."
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