EUA e França pedirão novas sanções contra o Irã na ONU
Rússia pede que Irã aceite proposta da AIEA para enriquecer urânio fora do país; UE critica posição iraniana
Os Estados Unidos e a França vão pedir na Organização das Nações Unidas (ONU) a adoção de novas sanções ao Irã por causa de seu programa nuclear, disse o ministro da Defesa francês, Hervé Morin, após encontro com seu colega americano, Robert Gates, nesta segunda-feira, 8.
"Ainda devemos tentar encontrar uma solução pacífica", disse Gates. "Mas o único caminho que resta nesse campo é a pressão. Para isso, a comunidade internacional deve trabalhar em conjunto".
O Irã comunicou hoje à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)que começará amanhã um processo de enriquecimento de urânio à 20% em seus reatores. Em outubro, a AIEA propôs que Teerã enviasse o material para ser tratado nas mesmas condições fora do país, o que, em tese, dificultaria o uso militar do programa nuclear iraniano.
Mais cedo, a Rússia, tradicional aliado de Teerã, pediu que o país cumpra o acordo proposto pela AIEA. "A saída para a crise é o Irã cumprir os acordos de Genebra", disse um porta-voz do chanceler Sergei Lavrov.
Em Bruxelas, a União Europeia manifestou preocupação pelo anúncio de que o Irã começaria a enriquecer urânio dentro do próprio país. Segundo o porta-voz da chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, Lutz Güllner, o Irã não fez nada para recuperar sua credibilidade diante da comunidade internacional.
Idas e vindas
No último dia 2, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad havia afirmado que o Irã estaria disposto a enriquecer urânio fora do país, como prevê proposta feita pela AIEA em outubro, após ter rejeitado a proposta no final do ano passado.
O diretor da agência iraniana de energia atômica, Ali Akbar Salehi, incluiu o Brasil, a França e possivelmente o Japão entre os países que o governo do Irã aceitaria enviar urânio para ser enriquecido a 20% e, com isso, evitar suspeita sobre o possível uso militar de seu programa atômico. O Itamaraty negou qualquer contato neste sentido.
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As potências ocidentais já tinham reagido com ceticismo às declarações de Ahmadinejad na semana passada. EUA, França, Reino Unido e Alemanha pediram ações concretas do Irã e uma comunicação oficial à AIEA de que o regime persa aceita a proposta de outubro. No domingo, Ahmadinejad anunciou que enriqueceria o urânio dentro do Irã, mas que isso não impediria que o acordo com a AIEA fosse fechado.
O acordo
O acordo fechado em outubro entre o Irã, a AIEA e o grupo formado por EUA , Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha previa o envio de 70% do urânio com baixo índice de enriquecimento (3,5%) para a Rússia e para a França.
O material seria processado e transformado em combustível para um reator nuclear, com enriquecimento de 20%. Para utilização de urânio em armas nucleares, o enriquecimento deve ser superior a 90%.
Com informações da Reuters
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