EUA pressionam Abbas a negociar mesmo com assentamentos, diz fonte
Segundo jornal 'Ha'aretz', líder palestino não deve ceder na questão das colônias
JERUSALÉM - Uma fonte palestina próxima às negociações de paz com Israel disse ao jornal Ha'aretz, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira, 3, que o governo dos EUA está pressionando o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, a negociar mesmo se os israelenses continuarem a expandir algumas colônias ao fim da moratória que paralisou a construção de assentamentos.
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Segundo a fonte, os palestinos não aceitariam negociar caso a construção de assentamentos - cujo retorno pode ocorrer no próximo dia 26, com o fim da paralisação. Abbas sempre pregou o fim dos assentamentos como uma condição para que a paz no Oriente Médio pudesse ser negociada e várias autoridades palestinas já alertaram que a retomada da expansão pode levar o diálogo direto, retomado oficialmente na quinta após quase 20 meses parado, ao fracasso.
Apesar da pressão, tanto americanos quanto israelenses sabem a posição de Abbas sobre os assentamentos. A fonte disse que, embora não se saiba a posição do líder palestino, é provável que ele deixe a mesa de negociações se tal demanda persistir.
Divergências
Além dos assentamentos, Israel e a ANP apresentam diferenças em vários outros pontos cruciais para o estabelecimento de um acordo. Sobre a situação de Jerusalém, cidade considerada sagrada para ambos, os israelenses reclamam a cidade como sua capital e a consideram indivisível. Já os palestinos dizem que a parte oriental, de população árabe, deveria ser a capital de seu futuro Estado.
De acordo com fontes citadas pelo Ha'aretz, se Israel abrir mão de suas colônias na parte oriental da cidade, Abbas pode concordar em resolver o problema dos refugiados dentro das fronteiras do futuro Estado palestino. Atualmente, Israel não aceita o retorno de refugiados para as cidades onde hoje está o Estado judeu.
A demarcação das fronteiras é outro ponto em discussão. Os israelenses rejeitam voltar às fronteiras anteriores a 1967, mas aceitam ceder algumas áreas. Já os palestinos exigem a retirada de Israel de todos os territórios ocupados.
Negociações
O diálogo direto entre Israel e a ANP foi retomado oficialmente na quinta-feira, quando o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se encontrou com Abbas e com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, na Casa Branca. Ambos se comprometeram a fazer concessões para alcançar um acordo em um ano.
Nesta sexta, as milícias radicais da Faixa de Gaza - território controlado pelo Hamas - prometeu intensificar os ataques contra Israel e minar as negociações. Os grupos militantes se opõem ao diálogo e não aceitam a presença do Estado judeu.
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Israelenses e palestinos retomam diálogo direto
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