Exército enganou carcereiro das Farc, diz ministro colombiano
Militares infiltrados prenderam líder rebelde para a libertação de Ingrid e outros reféns, diz Juan Manuel Santos
"Foi um resgate cinematográfico", disse nesta quarta-feira, 2, Juan Manuel Santos, ministro da Defesa da Colômbia, ao explicar a operação que colocou em liberdade 15 reféns - entre eles Ingrid Betancourt - das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Segundo o ministro, a ação começou pela manhã, quando militares colombianos se infiltraram num grupo da guerrilha e capturaram dois rebeldes que fazia a segurança do cativeiro, no Departamento de Guaviare. Veja também: Resgate foi impecável, diz Ingrid Exército colombiano anuncia o resgate de Ingrid Quem são os ex-reféns libertados O drama de Ingrid Por dentro das Farc Histórico dos conflitos armados na região Leia tudo o que foi publicado sobre o caso Ingrid Betancourt Depois, os infiltrados convenceram César, um líder carcereiro das Farc, a viajar para ver Alfonso Cano - chefe máximo da guerrilha. Quando todos estavam no helicóptero, foi revelada a farsa: a aeronave do Exército estava camuflada como particular, revela o jornal El Tiempo. "Quando o helicóptero chegou ao acampamento, a cena foi surreal", disse Ingrid, ao comentar a operação. Segundo ela, os reféns já sabiam que sairiam da selva, mas não tinham idéia para onde seriam levados. "Os militares enganaram os rebeldes dizendo que os reféns, que estavam separados em três grupos, seriam transportados por helicópteros de uma organização humanitária fictícia", explicou Santos. César, capturado sem resistência, teria a inteira confiança de Mono Joy, parte da alta cúpula das Farc. "César e outro membro da guerrilha serão entregues às autoridades judiciais para que sejam processados por todos os seus delitos", informou em comunicado a Presidência colombiana. "Teve um compromisso para que a pessoas voltassem sãs e salvas. Houve oportunidades, porque queríamos que a operação fosse sem precedentes na Colômbia e no mundo. Sem disparos, sem feridos", destacou o general Freddy Padilla, comandante das Forças Militares da Colômbia. Envolvimento americano Os Estados Unidos estavam envolvidos no planejamento e operação da missão, e forneceram suporte específico, informou a Casa Branca. Mas oficiais do governo não descreveram a natureza do apoio, nem disseram se havia militares ou forças da Inteligência envolvidas neste auxílio, informa o jornal The New York Times. Ingrid e três americanos libertados nesta quarta faziam parte de um grupo de 40 reféns políticos que as Farc pretendem trocar por 500 guerrilheiros presos na Colômbia. Os americanos trabalhavam para uma empresa contratada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos para recolher informações sobre plantações de coca na Colômbia. Eles foram capturados em fevereiro de 2003, após as Farc derrubarem o avião em que viajavam no Departamento de Caquetá, no sul do país. Ingrid Betancourt, ex-candidata à Presidência colombiana, estava em poder dos rebeldes desde 23 de fevereiro de 2002. Com nacionalidade colombiana e francesa, ela era a refém mais importante das Farc. (Com AP e Reuters)
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