Ir para o conteúdo
ir para o conteúdo
 • 
Você está em Notícias > Internacional
Início do conteúdo

Expulsão de agência não implica rompimento com EUA, diz Morales

26 de junho de 2008 | 18h 54
REUTERS

A Bolívia não romperá relações

diplomáticas com o governo norte-americano, afirmou na

quinta-feira o presidente boliviano, Evo Morales, ainda que

tenha celebrado a decisão dos cocaleiros de expulsar da região

de Chapare (no Departamento de Cochabamba, centro do país) a

Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid).

O dirigente deu essa declaração enquanto meios de

comunicação da Bolívia informavam que os funcionários da

agência norte-americana haviam saído de Chapare na

quarta-feira, acatando uma ordem de sindicatos de cocaleiros e

de autoridades de municípios da região.

Naquele dia, os funcionários da Usaid teriam abandonado

voluntariamente Chapare a fim de evitar choques ou outros

episódios violentos depois da decisão dos cocaleiros de

expulsar a agência sob a acusação de que ela daria apoio a

atividades contra o governo de Morales.

"Nós nunca iremos romper relações com ninguém porque somos

da cultura do diálogo. Vamos ter relações com todo mundo, mas

sob a condição de que haja respeito mútuo entre os governos",

afirmou Morales referindo-se aos vínculos entre a Bolívia e os

EUA, tensos desde que o atual presidente chegou ao poder, em

2006.

Morales, que também foi líder cocaleiro na região de

Chapare e que assistiu a uma manifestação de agricultores no

distrito de Chuquisaca (sul), afirmou serem "evidentes" as

atividades conspiratórias dos EUA contra seu governo.

"Saúdo a decisão do movimento camponês. Agora sinto que, se

tudo der certo, Chapare não será apenas um território livre do

analfabetismo mas também do imperialismo norte-americano",

disse.

Os cocaleiros, adotando o discurso antiimperialista de

Morales, acusaram a Usaid de dar apoio a atividades da oposição

direitista com o pretexto de combater o narcotráfico. A

Bolívia, segundo o governo dos EUA, é o terceiro maior produtor

de cocaína do mundo, depois da Colômbia e do Peru.

"Não há motivo para que nos curvemos diante do império.

Vocês tinham de ver os gringos atirando contra a gente em Villa

Tunari (Chapare). A situação estava grave. Viva a soberania,

viva a dignidade", afirmou, responsabilizando pela situação os

governos bolivianos anteriores.

A Usaid, por meio de vários projetos de desenvolvimento

econômico e social, canaliza para o Chapare parte de sua ajuda

às operações de combate às drogas, que chega a quase 100

milhões de dólares anuais.

"Todo o dinheiro da Usaid ia para as prefeituras (em sua

maioria controladas pelos opositores). E isso fez com que se

desestabilizasse o governo. Vamos continuar com os esforços de

erradicação, mas não queremos mais a Usaid", disse o prefeito

de Villa Tunari, Feiliciano Mamani.

(Reportagem de Ana María Fabbri)



Tópicos: BOLIVIA, EUA