Farc adiam libertação de seis militares reféns na Colômbia
A guerrilha colombiana Farc adiou nesta quarta-feira a libertação de seis membros das Forças Armadas sequestrados há mais de uma década, e disse que a zona onde pretendia entregá-los é um centro de operações militares com presença de tropas do governo.
A situação é prova da complexidade do processo de libertação de reféns em poder do grupo Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), de esquerda, em meio ao conflito interno de quase cinco décadas.
"A área que havíamos escolhido para a libertação dos prisioneiros de guerra capturados em combate foi militarizada injustificadamente pelo governo da Colômbia, o que nos força a adiar sua concretização", disse o grupo rebelde em uma declaração transmitida pela Internet e dirigida a um grupo de mulheres pacifistas.
As Farc, debilitadas por uma ofensiva militar apoiada pelos Estados Unidos, mas ainda com capacidade de realizar ataques de grande impacto, anunciaram em dezembro a libertação de seis dos 11 membros das Forças Armadas que mantêm presos em seus acampamentos na selva há mais de dez anos.
O governo colombiano se comprometeu a oferecer todas as condições de segurança para facilitar a entrega dos reféns e para coordenar com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha o processo, que continua paralisado.
No final de novembro, quatro militares que estavam sequestrados foram assassinados pelos rebeldes em meio a um combate com o Exército.
"Nós queremos libertá-los vivos, mas parece que o governo prefere entregá-los em túmulos a seus familiares", disseram as Farc, acusadas de obter rendimentos milionários do narcotráfico, sequestro e extorsão.
Não houve reação imediata do governo ao comunicado da guerrilha. O grupo é considerado por EUA e União Europeia uma organização terrorista.
No entanto, o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, acusou na semana passada o grupo rebelde de usar os reféns e seus familiares como parte de uma estratégia para ganhar protagonismo político em nível nacional e internacional e limpar sua imagem criminosa.
"Assim que amainar a insanidade que tomou conta do Palácio de Nariño (a presidência), faremos uma nova tentativa para que vocês possam receber os que serão libertados", acrescentaram as Farc.
(Reportagem de Luis Jaime Acosta)
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