Farc anunciam que seguirão com luta armada na Colômbia
Guerrilha ignora apelo de Chávez e diz que solução do conflito só é possível com outro governo colombiano
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ignoraram o apelo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para que deponham as armas e anunciaram nesta quarta-feira, 30, que continuarão com a luta armada. "Com (o presidente da Colômbia, Álvaro) Uribe a paz não é mais que uma ilusão. A solução política ao conflito só é possível com outro governo", afirmou o líder guerrilheiro "Ivan Márquez", apelido de Luciano Marín, em uma entrevista à emissora Telesur.
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"A luta armada não está em questão. As causas que a motivaram não mudaram", disse o alto comandante das Farc em um trecho da entrevista antecipado nesta quarta. Assim, Márquez, que faz parte do Secretariado das Farc e se reuniu em novembro com Chávez em Caracas, ignorou o pedido do chefe de Estado venezuelano para que o grupo guerrilheiro detenha a luta armada e liberte todos os reféns que mantém em cativeiro "em troca de nada."
Chávez reiterou nos últimos meses que "a guerra de guerrilhas faz parte da história", que o seqüestro é inadmissível como arma política e disse publicamente ao novo chefe das Farc, "Alfonso Cano", que a existência da guerrilha era a desculpa dos Estados Unidos para "ameaçar" países como a Venezuela.
Márquez assegurou à Telesur que a nomeação de Cano como novo chefe máximo das Farc, em substituição a "Manuel Marulanda" ou "Tirofijo", "implica na continuidade dos planos" da guerrilha mais antiga da América Latina.
Sobre a possibilidade de as Farc aceitarem o asilo político na França de combatentes presos em troca de libertar os reféns que mantêm em seu poder nas selvas colombianas, Márquez destacou que a sugestão "é uma afronta à dignidade dos guerrilheiros."
"Os verdadeiros combatentes não mudam as montanhas da pátria nem as convicções por um humilhante expatrio em ultramar", afirmou. Ele também defendeu o seqüestro como via para conseguir a libertação dos guerrilheiros presos, ao afirmar que as Farc estão "em todo o seu direito de buscar por todos os meios a liberdade dos combatentes presos, tanto nas prisões do regime (Colômbia) quanto nas do império (EUA)."
Resgate de Ingrid
Segundo Márquez, o sucesso da operação militar colombiana que libertou, em 2 de julho, a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, três americanos e 11 militares e policiais, se deveu à "traição" dos guerrilheiros que tinham sob custódia.
"Na pretensa operação, (o Exército da Colômbia) só colocou os helicópteros, todo o trabalho foi realizado por dois traidores", afirmou o dirigente das Farc.
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