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Farc mantiveram Betancourt acorrentada a árvore

28 de fevereiro de 2008 | 16h 10
PATRICK MARKEY - REUTERS

A guerrilha Forças Armadas

Revolucionárias da Colômbia (Farc) acorrentaram a refém Ingrid

Betancourt a uma árvore e obrigaram-na a ficar sem as botas

como forma de puni-la por ter tentado fugir do cativeiro,

afirmou nesta semana uma pessoa que esteve presa junto dela.

Depois de passar seis anos nas mãos dos rebeldes,

Betancourt, uma política franco-colombiana, encontra-se

gravemente doente, sofrendo de hepatite e de outros males do

fígado sem ter acesso a remédios suficientes para se curar,

disse Luis Eladio Pérez, um ex-advogado libertado na

quarta-feira com outros três reféns.

Detalhes sobre o estado debilitado de Betancourt surgiram

após o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ter conseguido

convencer as Farc a libertar quatro pessoas na segunda operação

do tipo realizada pela guerrilha neste ano.

Segundo Pérez, Betancourt sugeriu-lhe, dois anos atrás, que

escapassem para dentro da floresta. Mas depois de passarem

cinco dias atravessando rios, combatendo a umidade, comendo

peixe cru e fugindo dos rebeldes, os dois desistiram e acabaram

se rendendo. Foram punidos pelos guerrilheiros.

"Eu estava fraco e não consegui resistir. Decidimos nos

entregar e logo começamos a ser punidos. Ficamos acorrentados a

árvores 24 horas por dia. Eles levaram nossas botas", afirmou

Pérez à rádio colombiana Caracol.

"Para as Farc, Ingrid é a jóia da coroa desse infame

processo", afirmou ele na entrevista.

Cartas escritas por três reféns norte-americanos para o

presidente dos EUA, George W. Bush, para os políticos que

concorrem à Presidência norte-americana e para os familiares

dos reféns, nas quais pediam que não fossem abandonados na

selva, foram confiscadas quando os rebeldes as descobriram no

corpo de Pérez.

Marc Gonsalvez, Thomas Howes e Keith Stansell, que

trabalhavam para o Departamento de Defesa dos EUA, foram

capturados em fevereiro de 2003 após o avião deles ter caído na

mata em meio a uma missão de combate ao narcotráfico.

Segundo Pérez, os reféns dos EUA temem ser abandonados

depois de uma corte norte-americana ter condenado um comandante

rebelde a 50 anos de prisão. As Farc disseram que o comandante

e um outro guerrilheiro mantido presos nos EUA precisavam ser

trocados pelos três norte-americanos.

"Eles estão muito abatidos. Eles acreditam que vão ter o

mesmo destino dentro da selva colombiana", afirmou.

Betancourt e os três norte-americanos encontram-se entre os

40 reféns importantes que as Farc desejam trocar por rebeldes

presos. O processo de negociação com o governo da Colômbia,

porém, está paralisado neste momento.

A libertação de Betancourt, sequestrada enquanto fazia

campanha para a Presidência colombiana, transformou-se em uma

prioridade para o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que,

na quinta-feira, disse estar disposto a viajar pessoalmente até

a Colômbia para garantir que a refém seja entregue.

Imagens de um vídeo gravado pelos rebeldes no ano passado

mostram Betancourt magra e debilitada no cativeiro.