Farc mantiveram Betancourt acorrentada a árvore
A guerrilha Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (Farc) acorrentaram a refém Ingrid
Betancourt a uma árvore e obrigaram-na a ficar sem as botas
como forma de puni-la por ter tentado fugir do cativeiro,
afirmou nesta semana uma pessoa que esteve presa junto dela.
Depois de passar seis anos nas mãos dos rebeldes,
Betancourt, uma política franco-colombiana, encontra-se
gravemente doente, sofrendo de hepatite e de outros males do
fígado sem ter acesso a remédios suficientes para se curar,
disse Luis Eladio Pérez, um ex-advogado libertado na
quarta-feira com outros três reféns.
Detalhes sobre o estado debilitado de Betancourt surgiram
após o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ter conseguido
convencer as Farc a libertar quatro pessoas na segunda operação
do tipo realizada pela guerrilha neste ano.
Segundo Pérez, Betancourt sugeriu-lhe, dois anos atrás, que
escapassem para dentro da floresta. Mas depois de passarem
cinco dias atravessando rios, combatendo a umidade, comendo
peixe cru e fugindo dos rebeldes, os dois desistiram e acabaram
se rendendo. Foram punidos pelos guerrilheiros.
"Eu estava fraco e não consegui resistir. Decidimos nos
entregar e logo começamos a ser punidos. Ficamos acorrentados a
árvores 24 horas por dia. Eles levaram nossas botas", afirmou
Pérez à rádio colombiana Caracol.
"Para as Farc, Ingrid é a jóia da coroa desse infame
processo", afirmou ele na entrevista.
Cartas escritas por três reféns norte-americanos para o
presidente dos EUA, George W. Bush, para os políticos que
concorrem à Presidência norte-americana e para os familiares
dos reféns, nas quais pediam que não fossem abandonados na
selva, foram confiscadas quando os rebeldes as descobriram no
corpo de Pérez.
Marc Gonsalvez, Thomas Howes e Keith Stansell, que
trabalhavam para o Departamento de Defesa dos EUA, foram
capturados em fevereiro de 2003 após o avião deles ter caído na
mata em meio a uma missão de combate ao narcotráfico.
Segundo Pérez, os reféns dos EUA temem ser abandonados
depois de uma corte norte-americana ter condenado um comandante
rebelde a 50 anos de prisão. As Farc disseram que o comandante
e um outro guerrilheiro mantido presos nos EUA precisavam ser
trocados pelos três norte-americanos.
"Eles estão muito abatidos. Eles acreditam que vão ter o
mesmo destino dentro da selva colombiana", afirmou.
Betancourt e os três norte-americanos encontram-se entre os
40 reféns importantes que as Farc desejam trocar por rebeldes
presos. O processo de negociação com o governo da Colômbia,
porém, está paralisado neste momento.
A libertação de Betancourt, sequestrada enquanto fazia
campanha para a Presidência colombiana, transformou-se em uma
prioridade para o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que,
na quinta-feira, disse estar disposto a viajar pessoalmente até
a Colômbia para garantir que a refém seja entregue.
Imagens de um vídeo gravado pelos rebeldes no ano passado
mostram Betancourt magra e debilitada no cativeiro.
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