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França e EUA concordam em adotar sanções pesadas ao Irã

Rússia pede que Irã aceite proposta para enriquecer urânio fora do país; UE e ONU criticam o país

08 de fevereiro de 2010 | 17h 30
estadao.com.br

Os governos da França e dos EUA chegaram a um acordo sobre a necessidade de impor pesadas sanções ao Irã por seu programa nuclear. O presidente Nicolas Sarkozy recebeu o secretário de Defesa americano, Robert Gates, nesta segunda-feira, 8, no Palácio do Eliseu, em Paris.

Gates chega ao Eliseu para encontrar Sarkozy - Philippe Wojazer/Reuters
Philippe Wojazer/Reuters
Gates chega ao Eliseu para encontrar Sarkozy

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"Eles acreditam que a imposição de sanções pesadas devem reiniciar as negociações", disse um assessor do presidente francês à Reuters.

Mais cedo, Gates se reuniu com o ministro da Defesa francês, Hervé Morin, e ambos defenderam novas sanções ao Irã.

"Ainda devemos tentar encontrar uma solução pacífica", disse Gates. "Mas o único caminho que resta nesse campo é a pressão. Para isso, a comunidade internacional deve trabalhar em conjunto".

O Irã comunicou hoje à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que começará amanhã um processo de enriquecimento de urânio à 20% em seus reatores.  Em outubro, a AIEA propôs que Teerã enviasse o material para ser tratado nas mesmas condições fora do país, o que, em tese, dificultaria o uso militar do programa nuclear iraniano.

Pressão cresce

A AIEA confirmou o recebimento do comunicado iraniano e alertou para o risco do anúncio prejudicar o plano para pôr fim ao impasse nuclear. "A AIEA recebeu esta decisão com preocupação pois ela pode afetar o esforço internacional para garantir o fornecimento de combustível nuclear ao reator iraniano nos termos do acordo", disse a porta-voz Gil Tudor.

Mais cedo, a Rússia, tradicional aliado de Teerã, pediu que o país cumpra o acordo proposto pela AIEA. "A saída para a crise é o Irã cumprir os acordos de Genebra", disse um porta-voz do chanceler Sergei Lavrov.

Em Bruxelas, a União Europeia manifestou preocupação pelo anúncio de que o Irã começaria a enriquecer urânio dentro do próprio país. Segundo o porta-voz da chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, Lutz Güllner, o Irã não fez nada para recuperar sua credibilidade diante da comunidade internacional.

Para ser aprovado no Conselho de Segurança, um novo pacote de sanções não pode ser vetado por nenhum dos países com assentos permanentes no Conselho de Segurança (EUA, Reino Unido, França, Rússia e China).  Embora Moscou tenha se mostrado nas últimas semanas mais favorável a uma abordagem mais dura, Pequim, outra tradicional aliada de Teerã, ainda dá respaldo ao regime dos aiatolás.

Idas e vindas


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No último dia 2, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad havia afirmado que o Irã estaria disposto a enriquecer urânio fora do país, como prevê proposta feita pela AIEA em outubro, após ter rejeitado a proposta no final do ano passado.

O diretor da agência iraniana de energia atômica, Ali Akbar Salehi, incluiu o Brasil, a França e possivelmente o Japão entre os países que o governo do Irã aceitaria enviar urânio para ser enriquecido a 20% e, com isso, evitar suspeita sobre o possível uso militar de seu programa atômico. O Itamaraty negou qualquer contato neste sentido.

As potências ocidentais já tinham reagido com ceticismo às declarações de Ahmadinejad na semana passada. EUA, França, Reino Unido e Alemanha pediram ações concretas do Irã e uma comunicação oficial à AIEA de que o regime persa aceita a proposta de outubro. No domingo, Ahmadinejad anunciou que enriqueceria o urânio dentro do Irã, mas que isso não impediria que o acordo com a AIEA fosse fechado.

O acordo

O acordo fechado em outubro entre o Irã, a AIEA e o grupo formado por EUA , Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha previa o envio de 70% do urânio com baixo índice de enriquecimento (3,5%) para a Rússia e para a França.

O material seria processado e transformado em combustível para um reator nuclear, com enriquecimento de 20%. Para utilização de urânio em armas nucleares, o enriquecimento deve ser superior a 90%. 

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Com informações da Reuters e da Efe