Gangues globais exploram pontos cegos para tráfico, diz ONU
Traficantes e quadrilhas internacionais estão explorando grandes lacunas geográficas na cobertura de radares, satélites e outros equipamentos, disse nesta quarta-feira a principal autoridade da ONU para o combate à criminalidade.
Antonio Maria Costa, chefe do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (Unodc, na sigla em inglês), disse a membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas que os países precisam melhorar seus sistemas de compartilhamento de informações.
"Precisamos de uma mudança de atitude", disse Costa ao Conselho. "É hora de considerar o compartilhamento de informações como uma forma de fortalecer a soberania, não de entregá-la."
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também fez um alerta ao Conselho: "Até agora, a cooperação entre governos está ficando para trás da cooperação entre as redes do crime organizado."
Costa afirmou ainda que o crime organizado está explorando a instabilidade em regiões de conflito. "Isso cria um círculo vicioso (em que) a vulnerabilidade atrai o crime, o crime por sua vez aprofunda a criminalidade. Numa reação em cadeia, crises humanitárias se seguem, o desenvolvimento para, e forças de paz são mobilizadas."
O italiano pediu que o Conselho de Segurança promova a ratificação da Convenção da ONU contra o Crime Organizado Transnacional, que foi estabelecida há dez anos, mas ratificada apenas por um terço dos países, com uma implementação que ele considera "incompleta".
O Conselho aprovou por unanimidade uma declaração pedindo aos Estados da ONU que reforcem a cooperação regional e internacional entre si e com o Unodc para o combate ao narcotráfico.
Um novo relatório divulgado pela agência, chamado "Crime e Instabilidade: estudos de caso das ameaças transnacionais" ilustra o problema das falhas na vigilância.
Exemplos incluem o intenso tráfico de cocaína da América Latina através da África Ocidental, os carregamentos de heroína do Afeganistão e outros lugares para a Ásia e Europa, o contrabando de minérios na República Democrática do Congo e na República Centro-Africana, e a pirataria marítima na costa da Somália.
"A tecnologia praticamente aboliu tempo e espaço, e deveríamos saber o que ocorre em torno do planeta a qualquer momento. Não sabemos", disse Costa. "Há muitos lugares esquecidos, fora do controle do governo, assustadores demais para investidores e turistas."
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