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Gay palestino obtém permissão para viver com amante em Israel

25 de março de 2008 | 15h 52
REBECCA HARRISON - REUTERS

Israel concedeu a um palestino um

raro visto de permanência depois que o homem, que é

homossexual, disse que sua sexualidade punha sua vida em risco

na Cisjordânia, informou nesta terça-feira uma autoridade do

Ministério da Defesa.

O palestino, de 33 anos e morador da cidade de Jenin,

recebeu uma permissão temporária para viver com um companheiro

israelense em Tel-Aviv, depois de argumentar que enfrenta

ameaças de palestinos que desaprovam o fato de ele ser gay,

afirmou a fonte.

O Ministério do Interior israelense raramente emite vistos

de permanência a palestinos que vivem na Cisjordânia ocupada e

querem morar com seus companheiros em Israel, qualquer que seja

sua sexualidade. A avaliação de tais pedidos pode levar anos.

"Neste caso o advogado do homem afirmou que sua vida corria

perigo por causa de sua preferência sexual", disse Peter

Lerner, porta-voz da Coordenação das Atividades do Governo nos

Territórios, cujo escritório está subordinado ao Ministério da

Defesa.

Embora o homossexualismo seja de modo geral um tabu nas

cidades conservadoras e majoritariamente muçulmanas da

Cisjordânia, um grupo de defesa dos direitos humanos

trabalhando com gays palestinos disse que há poucos relatos de

violência física nos últimos anos.

No entanto, os palestinos são muito cautelosos em relação a

colaboradores e, segundo Rauda Morcos, diretor do Aswat --

grupo de apoio a lésbicas palestinas -- a suspeita é

direcionada a homens e mulheres homossexuais.

Morcos afirmou que os gays palestinos algumas vezes são

alvo do serviço secreto israelense, que os pressionam a

colaborar para não tornar pública sua homossexualidade.

Embora o homossexualismo seja mais amplamente aceito em

Israel, alguns setores da sociedade, como os judeus

ultra-ortodoxos, são opositores ferrenhos dos direitos dos gays

e alguns judeus religiosos ameaçaram recorrer à violência no

ano passado durante a Parada do Orgulho Gay, em Jerusalém.

Lerner disse que o homem, cujo nome ele não poderia

revelar, ainda precisará de uma permissão do Ministério do

Interior para ficar no país de modo permanente.

O jornal israelense Yedioth Ahronoth informou em seu site

que o palestino pediu permissão para viver com seu amante

israelense, um engenheiro de computação na faixa dos 40 anos.

Eles estão juntos há oito anos, segundo o diário.

(Reportagem de Rebecca Harrison)



Tópicos: ORMED, GAY, PALESTINO