Genro do rei da Espanha é indiciado por fraude
Justiça determinou que duque deponha em inquérito sobre o desvio de milhões de euros
MADRI - O genro do rei da Espanha foi indiciado nesta quinta-feira, 29, por fraude e enriquecimento ilícito, num caso que abalou a reputação da família real espanhola e levou a realeza a tomar a inédita decisão de revelar suas fontes de renda.
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O tribunal de Palma de Mallorca não especificou as acusações contra Iñaki Urdangarin, o Duque de Palma, ex-jogador olímpico de handebol que é casado com a infanta Cristina, filha caçula do rei Juan Carlos 2o.
A Justiça determinou que o duque deponha em um inquérito sobre o suposto desvio de milhões de euros dos cofres públicos para a ONG dele, o Instituto Noos, que ele comandou entre 2004 e 2006.
Urdangarin nega qualquer irregularidade, mas no mês passado pediu desculpas publicamente pelo constrangimento que seus problemas judiciais causaram à família real, a qual ele disse não ter nada a ver com seus assuntos empresariais.
A investigação encontrou indícios de desvio de verbas, falsificações e fraudes entre 2003 e 2006, período em que, segundo a imprensa local, o Instituto Noos teve um faturamento de 15 milhões de euros (19,4 milhões de dólares, pela cotação atual).
O Noos é acusado de ter recebido 2,3 milhões de dólares para organizar duas conferências turísticas nas ilhas Baleares, mas teria desviado metade do dinheiro para empresas com fins lucrativos pertencentes a Urdangarin e pessoas ligadas a eles, sob rubricas como "apoio logístico".
O mesmo padrão de uso da verba foi detectado em conferências esportivas realizadas em Valência. De acordo com a imprensa espanhola, as empresas de Urdangarin não foram capazes de comprovar os gastos relacionados aos pagamentos recebidos.
Um porta-voz disse que a família real tem "absoluto respeito" pelas decisões judiciais. O rei Juan Carlos e sua família têm evitado a presença do duque em eventos oficiais. Ele, a princesa e os quatro filhos se mudaram em 2009 para Washington, onde ele representa a empresa Telefónica.
Num esforço para demonstrar transparência, a família real revelou na quarta-feira que o rei e seus parentes imediatos receberam no ano passado 814.128 euros para despesas pessoais. Mas a maior parte dos gastos da família - incluindo habitação, viagens oficiais, jantares formais, contas elétricas, pagamento de funcionários e transportes - vem de outros orçamentos, como o da chancelaria, do Ministério do Interior e da presidência de governo.
Uma pesquisa mensal feita pelo Centro de Investigações Sociais mostra que o índice de aprovação à família real espanhola, historicamente elevado, despencou neste mês.
O rei Juan Carlos, de 73 anos, é muito admirado e respeitado na Espanha por ter conduzido o país durante a tensa transição para a democracia depois da morte do ditador Francisco Franco, em 1975.
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