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Google deve fechar operações na China em abril, diz imprensa estatal

Anúncio será oficializado na segunda; tensão começou com invasão de contas de email

19 de março de 2010 | 9h 24
Cláudia Trevisan - correspondente do Estado em Pequim

PEQUIM -  O Google, maior site de buscas do mundo, poderá encerrar suas operações na China no dia 10 de abril, segundo reportagem veiculada ontem pelo jornal estatal "China Business News".

Tensão começou com invasão de contas de email do servidor do Google - Jason Lee/Reuters
Jason Lee/Reuters
Tensão começou com invasão de contas de email do servidor do Google

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De acordo com a publicação, a empresa norte-americana poderá fazer na segunda-feira um anúncio oficial de seus planos em relação ao país asiático.

No dia 12 de janeiro, a companhia surpreendeu o mundo e o governo Pequim com o anúncio de que poderia fechar o google.cn, seu site em chinês, caso não chegasse a um acordo com as autoridades locais para operar sem o crivo da censura.

Desde então, representantes do governo afirmaram em diversas ocasiões que empresas estrangeiras devem obedecer às leis do país e deixaram claro que não há possibilidade de acordo com o Google nesse ponto.

Apesar de ter condicionado sua permanência no país à suspensão da censura, o site apontou como razão para sua possível saída uma série de ataques de hackers que operam a partir da China.

O comunicado divulgado em janeiro disse que essas ações levaram ao roubo de propriedade intelectual do Google e atingiram pelo menos outras 20 companhias norte-americanas.

A eventual saída do país de uma das maiores empresas do mundo representa um duro golpe para a imagem da China como destino preferencial de investimentos estrangeiros.

Essa posição começou a ser abalada em agosto do ano passado, quando quatro executivos da mineradora australiana Rio Tinto foram presos sob a acusação de roubarem segredo de Estado, uma das mais graves do país _posteriormente a denúncia foi modificada para corrupção e roubo de segredo de empresas, punidos com penas mais brandas.

O julgamento dos funcionários da Rio Tinto está marcado para a segunda-feira e é será observado de perto por empresas estrangeiras que realizam negócios na China, onde o Judiciário não possui nenhuma independência em relação ao Partido Comunista.

O caso Google também se transformou em um forte ingrediente do recente aumento das tensões no relacionamento entre a China e os Estados Unidos. Poucos dias depois que a empresa anunciou que poderia deixar o país asiático, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, fez um contundente discurso em defesa da liberdade do fluxo de informações na internet, no qual criticou nominalmente a China.

Quando criou o google.cn, em 2006, o site de buscas concordou em incorporar a seu sistema os mecanismos de censura de Pequim, que bloqueiam o acesso a temas considerados "sensíveis" pelas autoridades locais, entre os quais estão a independência de Taiwan, o dalai-lama, a controvérsia sobre o Tibete e a seita falun gong, banida do país nos anos 90.

Na época, havia a expectativa de que as autoridades chinesas iriam com o tempo tornar mais flexíveis os limites da censura e ampliar o acesso às informações online. Mas ocorreu exatamente o contrário.

Desde 2008, sites como Youtube, Twitter e Facebook são inacessíveis na China. Nesse período, também aumentou a repressão aos dissidentes, que culminou com a condenação a 11 anos de prisão do ativista de direitos humanos Liu Xiabo, em dezembro.

Os sinais de que o Google está prestes a concretizar sua ameaça de deixar a China cresceram nos últimos dias. Há uma semana, o "Financial Times" publicou reportagem, com fontes não identificadas, segundo a qual há uma probabilidade de "99,9%" de o google.cn deixar de existir.

Na quarta-feira, jornais chineses disseram que clientes do Google haviam recebido comunicado de que a empresa encerraria suas atividades no país no fim de março.



Tópicos: Google, China, Internet, Censura