Governo brasileiro não reconhecerá eleição em Honduras
O porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, reafirmou hoje a posição do governo brasileiro de não reconhecer o resultado das eleições presidenciais do próximo domingo em Honduras sem que o presidente deposto Manuel Zelaya tenha sido reconduzido ao cargo.
"A posição brasileira não mudou. O Brasil não reconhecerá o governo que eventualmente saia das eleições, se é que elas serão realizadas", declarou Baumbach no Centro Cultural Banco do Brasil. Em Tegucigalpa, capital hondurenha, Zelaya está abrigado na Embaixada do Brasil.
De acordo com o porta-voz, a questão de Honduras certamente entrará nas conversas entre os presidentes que estiverem participando da 10ª Reunião da Cúpula Ibero-americana, a se realizar em Estoril, Portugal, na próxima semana. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será um dos participantes, mas Baumbach disse que ele não tentará conseguir dos participantes o anúncio de uma posição conjunta sobre a crise hondurenha.
Carta
Questionado se a relação do Brasil com os Estados Unidos pode ser prejudicada pelas divergências entre os dois países em relação a Honduras, o porta-voz disse que "não existe razão" para isso. "As relações são boas, fortes e robustas, e é normal que existam divergências."
Baumbach disse que Lula responderá à carta que Obama lhe escreveu sobre o caso de Honduras, mas não especificou quando isso será feito nem quais serão os termos da resposta.
Sobre a permanência de Zelaya na Embaixada do Brasil, o porta-voz afirmou: "O problema não é a permanência de Zelaya na embaixada, mas ausência desse presidente, legitimamente eleito, no Palácio do governo."
Segundo o porta-voz, é preciso que Zelaya retorne ao cargo, e o governo brasileiro não está pensando em prazo de permanência dele na Embaixada. "É importante dizer que não se trata de uma questão bilateral Brasil-Honduras, mas de um governo de facto, vindo de um golpe, e a comunidade internacional."
Baumbach informou que a cúpula de Estoril discutirá inovação e conhecimento no espaço ibero-americano e também o problema das mudanças climáticas, além da crise econômico-financeira internacional.
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