Governo do Panamá se oferece para mediar crise em Honduras
Chanceler afirma que seu país reconhece Zelaya como presidente, mas mantém contato com governo de facto
O governo do Panamá se ofereceu nesta segunda-feira, 6, para mediar a crise política em Honduras. O chanceler panamenho, Juan Carlos Varela, afirmou que seu país reconhece José Manuel Zelaya como presidente hondurenho, mas mantém contato com o governo de facto. "Fazemos um pedido de diálogo e estamos dispostos a que nosso país seja um mediador", disse.
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O chanceler indicou ainda que o presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, irá falar com o chefe de Estado da Costa Rica, Oscar Arias, "para um esforço diplomático" que evite novos enfrentamentos entre partidários de Zelaya e forças de segurança de Honduras, como o que aconteceu no domingo. "Não queremos que a ingerência externa seja para complicar a situação, mas sim para facilitar uma saída para o conflito", acrescentou Varela.
Zelaya confirmou nesta segunda, na capital da Nicarágua, que viaja nesta noite para Washington e que na terça se reunirá com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton. O presidente deposto disse a jornalistas, em um centro comercial de Manágua, que sairá da Nicarágua rumo à capital americana às 19h (22h, horário de Brasília), depois da tentativa fracassada de retornar a seu país no domingo.
O chefe de Estado revelou que, nas reuniões, tratarão sobre o cumprimento das resoluções das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos (OEA) "sobre os preceitos da Carta Democrática do Sistema Interamericano, sobre o respeito aos regimes com origem na vontade popular". Também será discutido sobre as "sanções que estes regimes têm que sofrer em nível internacional, a fim de que estes eventos, como no caso de Honduras, não voltem a acontecer em seus países e em nenhum lugar do mundo", acrescentou Zelaya.
"A interrupção pela força de um governo eleito pela vontade do povo é uma violação a todos os princípios dos direitos democráticos dos povos", disse. Além disso, o líder deposto afirmou que voltará a tentar entrar em seu país. "Ontem fiz as tentativas. Logicamente meu erro foi avisá-los, porque prepararam o Exército, franco-atiradores e começaram a assassinar gente. Agora não vou avisar", acrescentou, ressaltando que voltará como "presidente eleito e interino dos hondurenhos."
"Vou entrar em Honduras e fazer o que sempre fiz: manifestações públicas, democráticas, abertas e amplas", acrescentou. Zelaya disse também que quando retornar a seu país estará em "muitos lugares permanentemente, até que possa reintegrar e garantir o retorno do regime eleito pela vontade do povo."
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