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Grevistas aceitam proposta da mineradora Lonmin na África do Sul

Após um mês e meio de greve e 45 mortos em confrontos, mineiros aceitam oferta que inclui aumento de 22%

18 de setembro de 2012 | 17h 17
AE - Agência Estado

MARIKANA - Os funcionários em greve da mina de platina Marikana, operada pela mineradora Lomin na África do Sul, concordaram em retornar ao trabalho na quinta-feira,20,  depois de um mês e meio de paralisação e confrontos que deixaram um total de 45 mortos, informou o bispo Jo Seoka, que atuou como mediador no caso.

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Mineiros celebram o fim da greve e o aumento de 22% oferecido pela mineradora Lomin - Siphiwe Sibeko/Reuters
Siphiwe Sibeko/Reuters
Mineiros celebram o fim da greve e o aumento de 22% oferecido pela mineradora Lomin

Em viagem oficial à Europa, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, elogiou o acordo preliminar para encerrar a greve na mina da Lonmin. Segundo ele, o país oferece uma clima "estável" para investidores estrangeiros. "Estou muito feliz" com o acordo, disse Zuma em Bruxelas. "Seria um pouco estranho se não chegássemos a um acerto."

As condições nas minas precisam ser examinadas e possivelmente melhoradas, disse o presidente sul-africano. "Eu acho que nós temos que olhar para isso. É a maneira com a qual a indústria de mineração tem se relacionado com os trabalhadores, em termos de condições, acomodações, etc", admitiu Zuma.

Na opinião do presidente, os investidores devem ser encorajados a ver que o sistema da África do Sul oferece às empresas um parceiro que possa representar os trabalhadores nas negociações. "Se eu fosse um investidor, este incidente teria reafirmado a minha posição de investir na África do Sul", declarou.

Ao anunciar o acordo, o bispo Jo Seoka disse que "os trabalhadores estão felizes" com a oferta salarial. "Acreditamos que o que aconteceu aqui foi uma vitória real para os trabalhadores, que voltam ao trabalho na manhã de quinta-feira", prosseguiu o bispo, que é presidente do Conselho Sul-africano de Igrejas e intermediou as conversações entre o empregador e os mineiros.

Seoka ainda não forneceu os detalhes finais do acordo alcançado nesta terça-feira,18, mas afirmou que ele inclui 22% de aumento salarial e um pagamento único de 2 mil rands (quantia equivalente a cerca de US$ 250) pelo período não trabalhado.



Cerca de 5 mil grevistas foram a um estádio em Marikana para ouvir a proposta da Lonmin e aceitaram a oferta. O bispo disse que vai voltar a conversar com representantes da Lonmin para dizer que os trabalhadores aceitaram a oferta e concluir o acordo nesta noite.


Início

A greve em Marikana teve início em 10 de agosto. No sexto dia de paralisação, a repressão policial aos grevistas deixou 34 mortos e 78 feridos. A demonstração de violência do Estado - a pior ocorrida desde a queda do regime do apartheid, em 1994 - causou comoção nacional.

A indignação ganhou ainda mais corpo depois de a promotoria pública ter recorrido a uma lei dos tempos de colônia por meio para indiciar os grevistas sobreviventes presos durante a repressão pelas mortes cometidas pela polícia. A iniciativa foi posteriormente deixada de lado.

A greve em Marikana não demorou a mobilizar trabalhadores de outras minas. Segundo cálculos do governo sul-africano, o custo das paralisações no setor de mineração aos cofres do país alcançariam US$ 500 milhões. Ao todo, 45 pessoas morreram em episódios de violência relacionados à greve em Marikana.

As informações são da Dow Jones e da Associated Press.






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