Hamas e Fatah ainda precisam resolver divergências
Questões envolvendo o controle das forças de segurança e outros assuntos importantes deixaram claras hoje as diferenças entre os movimentos rivais Hamas e Fatah. Os grupos devem assinar, na quarta-feira, um acordo para encerrar o racha no governo palestino, que já dura quatro anos.
O primeiro-ministro de Gaza, Ismail Haniyeh, disse que o Hamas não vai abrir mão do controle das forças de segurança e que vai manter o governo de Gaza mesmo depois da efetivação do acordo de unidade. Isso vai contra a proposta do Fatah, de que haveria uma única autoridade com o controle de todas as armas na Cisjordânia e em Gaza.
Não há consenso também sobre a relação com Israel e sobre quem será o primeiro-ministro do governo de unidade. Segundo um acordo estrutural acertado na semana passada, um governo interino deve ser formado para preparar as eleições parlamentares e presidenciais no ano que vem. Os ministros devem ser tecnocratas, não políticos.
As questões relacionadas à segurança e a Israel têm forte relação. O Fatah, força dominante na Autoridade Nacional Palestina (ANP), que governa a Cisjordânia, reconhece Israel e assinou uma série de acordos de paz interinos, embora no momento as negociações estejam paralisadas por causa das construções israelenses em assentamentos na Cisjordânia.
Já o Hamas não aceita a existência de um Estado judeu no islâmico Oriente Médio, embora alguns integrantes mais pragmáticos aceitem um Estado palestino na Cisjordânia e em Gaza como uma medida provisória. O Hamas enviou dezenas de suicidas para Israel e disparou milhares de foguetes contra o território israelense. O grupo é considerado uma organização terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia.
A respeito da questão das forças de segurança, o primeiro-ministro de Gaza disse hoje que "as armas de resistência não devem ser tocadas, mas vamos encontrar uma forma de lidar juntos com a questão", sem explicar como. Ele não deu indicações de que o Hamas vai desistir de sua luta armada contra Israel ou aprovar conversações de paz pela primeira vez. O primeiro-ministro da Cisjordânia, Salaam Fayyad, afirmou que "a coisa mais importante é que a luta do nosso povo deve ser não-violenta", acrescentando que "precisamos finalizar essa política e torná-la oficial".
O Hamas é rival do Fatah desde que o grupo islamita foi criado no final da década de 1980. As tensões ficaram mais fortes depois que o Fatah se recusou a entregar o poder, apesar de o Hamas ter vencido a eleição de 2006. No ano seguinte, o Hamas tomou Gaza, expulsou as forças do Fatah e deixou os palestinos com dois governos rivais em dois territórios, separados por Israel.
Fayyad, economista formado nos Estados Unidos que ganhou reconhecimento internacional por construir as instituições palestinas e estimular a economia, pode ficar sem o cargo se o projeto de reconciliação for adiante. O negociador-chefe do Fatah, Azzam al-Ahmed, disse em coletiva de imprensa no Cairo que o próximo primeiro-ministro deve ser escolhido por meio de consenso de todas as facções palestinas. Mas o líder do Hamas, Mahmoud Zahar, disse que o próximo primeiro-ministro deve vir de Gaza.
Al-Ahmed disse que o governo deve manter sua coordenação de segurança com Israel, que tem ajudado a evitar ataques militantes contra judeus na Cisjordânia. A coordenação também inclui a repressão contra militantes do Hamas na Cisjordânia. "A coordenação de segurança não tem nada a ver com a divisão entre o Fatah e o Hamas", disse al-Ahmed. Israel já disse que não vai cooperar com um governo palestino que inclua o Hamas. As informações são da Associated Press.
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