Hamas é favorável à trégua de 1 ano com Israel
Porta-voz do grupo condiciona abertura de fronteiras do território palestino para cessar-fogo duradouro
O porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, Fawzi Barhoum, anunciou nesta segunda-feira, 2, que o movimento islâmico aceitará uma trégua de um ano em troca da suspensão do bloqueio ao território palestino. O porta-voz acrescentou que o grupo não decidiu sobre o cessar-fogo de 18 meses proposto por mediadores egípcios. "Seja um ano ou um ano e meio, isso (o acordo) deve estar relacionado à abertura das passagens fronteiriças, incluindo Rafah, e ao fim do bloqueio (israelense)", afirmou Barhum. Veja também: Ataque aéreo israelense mata um palestino e fere 4 Linha do tempo dos ataques em Gaza Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel História do conflito entre Israel e palestinos Imagens das crianças em meio à destruição em Gaza Barhoum disse aos jornalistas que essa é a postura que será expressada pela delegação do Hamas que chegou no domingo ao Cairo para negociar com Israel uma trégua estável na Faixa de Gaza através da mediação egípcia. A intenção israelense de ampliar a trégua a uma duração de um ano e meio ainda não foi aceita pelo Hamas e "terá que ser submetida a debate pelos líderes" do movimento islâmico. Segundo o porta-voz, o Hamas poderia aceitar esse prazo só se for decidido que "serve às aspirações do povo palestino de acabar com seu sofrimento mediante a abertura das passagens fronteiriças e o fim do bloqueio". Ele insistiu em que a negociação da trégua é um assunto "completamente isolado" das conversas para a libertação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado por várias milícias palestinas em junho de 2006 e cuja libertação Israel exige como condição para o cessar-fogo. Reestruturação da OLP O líder do Hamas exilado na Síria, Mohamed Nazal, afirmou que o movimento islâmico não está disposto a "mendigar" por diálogo com grupos rivais e acusou o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, de tentar se aproveitar da ofensiva israelense. Os comentários foram resposta às declarações de Abbas no Egito, que no domingo afirmou que não dialogará com grupos que rechaçarem a autoridade da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Um dos dirigentes do grupo afirmou à AFP que o Hamas quer uma "reestruturação imediata de uma histórica OLP. Usama Hamdan, representante do Hamas no Líbano, acusou Abbas de tentar bloquear o acordo de 2005 que permitiu que os islâmicos participassem da organização. "Queremos uma aplicação imediata do acordo de 2005 sobre uma reestruturação da OLP para que ela integre o Hamas e a Jihad Islâmica". Em entrevista coletiva no Cairo no domingo, Abbas afirmou que "a OLP é o único representante legítimo do povo palestino" e denunciou a existência de um projeto que tem como objetivo a destruição desta organização, cujo grupo principal, o Fatah, é liderado por ele mesmo.
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