Honduras rejeita ultimato da OEA e não restituirá Zelaya
Suprema Corte não atendeu pedido de chefe da organização, que está no país para tentar resolver crise
Presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, discursa para apoiadores na capital. Foto: AP
TEGUCIGALPA - A Suprema Corte de Honduras rejeitou nesta sexta-feira, 3, o ultimato dado ao novo governo pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para restituir o presidente José Manuel Zelaya. O porta-voz da Corte Danilo Izaguirre afirmou que o secretário-geral do órgão, José Miguel Insulza, que chegou nesta sexta ao país, pediu ao presidente da Corte que repusesse Zelaya no poder, mas o pedido foi negado. "Agora a OEA tem que decidir o que fará", acrescentou Izaguirre. Na quarta-feira, a organização deu um prazo de 72 horas para que o presidente deposto fosse restituído, caso contrário o país seria expulso da OEA.
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Pouco antes da chegada de Insulza, o governo interino já expressava hostilidade. O chanceler de Honduras, Enrique Ortez, disse que se Insulza "vem exigir a restituição do presidente Manuel Zelaya, melhor que não venha". Ortez ressaltou que se Honduras for expulsa da OEA por não restituir Zelaya como presidente "não vai acontecer nada, já que fizeram isso com Cuba e nada aconteceu, Fidel Castro enfrentou essa situação."
Insulza chegou ao meio-dia ao aeroporto Toncontín, na capital hondurenha, a bordo de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e em meio a fortes medidas de segurança. A primeira parada da viagem foi na Suprema Corte de Justiça, onde teve uma reunião com o máximo magistrado de Honduras, Jorge Rivera. Ele também terá encontros nesta sexta-feira com líderes sociais e representantes da Igreja Católica.
Antes de partir, Insulza alertou, na quinta-feira, que a comunidade internacional já fez "praticamente tudo o que pode ser feito" pela via da diplomacia, e previu que a missão encontrasse rejeição. No fim de semana, de acordo com o secretário-geral da OEA, os países-membros do bloco irão analisar sanções. Insulza não deve se reunir com o novo presidente, segundo antecipou, na quinta-feira, o próprio Roberto Micheletti, que, no entanto, manifestou sua predisposição a fazê-lo.
Eleito em 2005 para um mandato de quatro anos, Zelaya foi deposto em 28 de junho por um golpe militar, em meio ao veto dos outros poderes a uma consulta popular que ele havia convocado para alterar a Constituição e que, se aprovada, permitiria a reeleição de políticos a cargos públicos. Nesta semana, a justiça hondurenha alertou que o presidente deposto e expulso será preso se retornar ao país como chefe de Estado.
Tensão nas ruas
Enquanto isso, e em um clima de maior agitação nas ruas que em dias anteriores, milhares de seguidores e opositores a Zelaya se juntaram em grandes manifestações nesta sexta-feira. Cada um dos grupos conseguiu juntar entre 10 mil e 15 mil pessoas, que tomaram as ruas de forma pacífica, no primeiro dia em que ambos foram capazes de convocar a população em massa.

Até hoje, Zelaya só tinha conseguido reunir algumas centenas de seguidores, enquanto os partidários do novo governo tinham reunido aproximadamente cinco mil pessoas, na terça-feira.
Micheletti liderou uma mobilização contra o presidente deposto, em frente à Casa Presidencial, com cartazes de apoio ao presidente e lemas como "estamos com a paz e a democracia" e "viva a constituição". "Isto não é um golpe", gritou Micheletti com o resto de manifestantes, aos quais agradeceu pelo apoio à "sucessão constitucional."
Os seguidores de Zelaya marcharam pelas ruas próximas à sede do governo, mas evitaram outra manifestação e, de maneira pacífica, se dirigiram rumo à sede da OEA. As pessoas levavam cartazes que diziam "Queremos Mel (Zelaya) já", "Gorilas saiam do poder" e "Seja bem-vindo Insulza, obrigado por restituir Mel como presidente."
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