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Impasse político do Iraque completa seis meses

Sem governo formado, país corre riscos de mergulhar novamente em onda de violência sectária

07 de setembro de 2010 | 20h 44
SUADAD AL-SALHY E SERENA CHAUDHRY - REUTERS

Seis meses depois das inconclusivas eleições parlamentares de março no Iraque, muitos eleitores estão perdendo a paciência com os políticos, e também a fé na democracia.    

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"Eu me culpo por ter votado. Tenho certeza de que, se os iraquianos soubessem que a situação iria piorar, nunca teriam ido votar por nenhum partido", disse o comerciante de roupas Nasseer Challoub, de 35 anos, em Bagdá.

A eleição de 7 de março mostrou um país dividido entre dois blocos xiitas, partidos curdos e uma aliança laica e multissectária, que prometia defender os interesses da minoria sunita.

O bloco Iraqiya, do ex-premiê Iyad Allawi, apoiado pelos sunitas, conquistou duas vagas parlamentares a mais do que o Estado de Direito, do primeiro-ministro xiita Nuri al Maliki. Sem maioria para governar, Maliki e Allawi entraram em negociações, até agora infrutíferas.

Enquanto isso, insurgentes sunitas têm aproveitado o impasse para realizar ataques, e na semana passada os Estados Unidos encerraram formalmente sua missão de combate no Iraque, após sete anos e meio de ocupação.

O impasse político mostra como o país ainda continua dividido entre sunitas, xiitas e curdos, e alimenta temores de que o Iraque mergulhe novamente na violência sectária que ameaçou degringolar para guerra civil em 2005-2006.

No domingo, homens-bomba mataram 12 pessoas num ataque a um quartel do Exército em Bagdá, duas semanas antes de um militante suicida fazer 57 vítimas no mesmo local. Assassinatos de funcionários de médio escalão e de líderes de milícias envolvidos no combate à Al-Qaeda são fatos corriqueiros.

"Esperávamos que os nossos políticos se tornassem mais flexíveis, que se unissem, fizessem concessões e cumprissem suas promessas eleitorais. Mas eles não conseguiram impedir que o sangue iraquiano fosse derramado por causa das suas diferenças", disse o comerciante Duraid Mohammed, 37 anos. "Eles são os responsáveis por cada iraquiano morto."

Segundo o parlamentar Kadhim al Shimmari, do bloco Iraqiya, as tensões políticas estão afetando diretamente a segurança. "As tensões políticas estão afetando as ruas, e muitas áreas podem enfrentar violência sectária, a começar por Bagdá", afirmou.

Enquanto isso, cresce a frustração dos iraquianos com a falta de água potável e energia. E a corrupção continua desenfreada. O impasse político retarda investimentos não ligados ao petróleo, algo que o país precisa desesperadamente, depois dos anos de guerra, sanções e isolamento.

Empresas petrolíferas já assinaram contratos que podem ampliar a capacidade produtiva iraquiana para níveis equivalentes aos da Arábia Saudita, em torno de 12 milhões de barris por dia. Mas elas dizem que estão atentas para ver se a crise política afetará a segurança.