Impasse político do Iraque completa seis meses
Sem governo formado, país corre riscos de mergulhar novamente em onda de violência sectária
Seis meses depois das inconclusivas eleições parlamentares de março no Iraque, muitos eleitores estão perdendo a paciência com os políticos, e também a fé na democracia.
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"Eu me culpo por ter votado. Tenho certeza de que, se os iraquianos soubessem que a situação iria piorar, nunca teriam ido votar por nenhum partido", disse o comerciante de roupas Nasseer Challoub, de 35 anos, em Bagdá.
A eleição de 7 de março mostrou um país dividido entre dois blocos xiitas, partidos curdos e uma aliança laica e multissectária, que prometia defender os interesses da minoria sunita.
O bloco Iraqiya, do ex-premiê Iyad Allawi, apoiado pelos sunitas, conquistou duas vagas parlamentares a mais do que o Estado de Direito, do primeiro-ministro xiita Nuri al Maliki. Sem maioria para governar, Maliki e Allawi entraram em negociações, até agora infrutíferas.
Enquanto isso, insurgentes sunitas têm aproveitado o impasse para realizar ataques, e na semana passada os Estados Unidos encerraram formalmente sua missão de combate no Iraque, após sete anos e meio de ocupação.
O impasse político mostra como o país ainda continua dividido entre sunitas, xiitas e curdos, e alimenta temores de que o Iraque mergulhe novamente na violência sectária que ameaçou degringolar para guerra civil em 2005-2006.
No domingo, homens-bomba mataram 12 pessoas num ataque a um quartel do Exército em Bagdá, duas semanas antes de um militante suicida fazer 57 vítimas no mesmo local. Assassinatos de funcionários de médio escalão e de líderes de milícias envolvidos no combate à Al-Qaeda são fatos corriqueiros.
"Esperávamos que os nossos políticos se tornassem mais flexíveis, que se unissem, fizessem concessões e cumprissem suas promessas eleitorais. Mas eles não conseguiram impedir que o sangue iraquiano fosse derramado por causa das suas diferenças", disse o comerciante Duraid Mohammed, 37 anos. "Eles são os responsáveis por cada iraquiano morto."
Segundo o parlamentar Kadhim al Shimmari, do bloco Iraqiya, as tensões políticas estão afetando diretamente a segurança. "As tensões políticas estão afetando as ruas, e muitas áreas podem enfrentar violência sectária, a começar por Bagdá", afirmou.
Enquanto isso, cresce a frustração dos iraquianos com a falta de água potável e energia. E a corrupção continua desenfreada. O impasse político retarda investimentos não ligados ao petróleo, algo que o país precisa desesperadamente, depois dos anos de guerra, sanções e isolamento.
Empresas petrolíferas já assinaram contratos que podem ampliar a capacidade produtiva iraquiana para níveis equivalentes aos da Arábia Saudita, em torno de 12 milhões de barris por dia. Mas elas dizem que estão atentas para ver se a crise política afetará a segurança.
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