Imprensa suíça coloca dúvidas sobre caso de brasileira agredida
Reportagens destacam questões pendentes sobre suposto autoria neonazista em ataque a advogada grávida

A imprensa suíça levanta dúvidas, nas edições desta sexta-feira, sobre o caso da brasileira Paula Oliveira, que afirma ter sido atacada por três neonazistas na Suíça. Uma das publicações suíças indica, ainda, que a própria polícia de Zurique é cética sobre a versão da advogada. A maior parte das reportagens trata o assunto com cautela. Paula foi atendida pela polícia na segunda-feira com ferimentos com objetos cortantes na pele, formando a sigla do partido de ultra-direita SVP. O ataque teria ainda provocado um aborto dos bebês gêmeos que ela esperava. Veja também: Agressor será expulso se provado ataque, diz partido Lapouge: Marca do horror dificilmente se apagará Para Amorim, há xenofobia 'evidente' em caso de advogada Maior partido do país é famoso por propaganda racista 'Fomos vítimas da xenofobia', diz pai de torturada Suíça admite descaso com a violência de neonazistas Xenofobia aumenta na UE, indicam relatórios
O Neue Zürcher Zeitung, um dos diários de maior prestígio na Suíça, denomina o caso como o de "uma jovem brasileira encontrada com cortes no corpo" em uma estação de trem de Zurique. Como a maioria dos veículos suíços, o jornal cita a imprensa no Brasil, afirmando que o incidente tomou uma dimensão política no país, onde "está sendo considerado um ataque racista".
Interrogações marcam o tom das reportagens publicadas nesta sexta-feira na Suíça. "Como poderiam três homens atacar uma mulher por volta das 19h30, sem chamar a atenção, em uma estação de trem bem frequentada?" é uma das perguntas lançadas pela edição desta sexta-feira do diário Tages-Anzeiger, de Zurique. O jornal questiona ainda por que somente na quinta-feira a polícia convocou testemunhas, como era possível que fossem gravadas letras tão legíveis no corpo de alguém que tentava se defender, e por que nenhum neonazista teria sido percebido no bairro até então.
O diário News afirma ter sabido de "fontes internas bem informadas" que a polícia duvida da gravidez e das informações de que a mulher foi atacada por neonazistas. A polícia de Zürique não quis dar, quando questionada, informação alguma sobre o estado das investigações devido a proteção privada das pessoas e por respeito ao andamento das investigações. Já o Solothurner Zeitung intitula sua reportagem com a frase: "Teriam neonazistas torturado brasileira"?
O St Galler Tagblatt segue linha similar estampando sua manchete com a interrogação: "Brasileira grávida torturada por neonazistas?". O jornal Le Temps, de língua francesa, destaca que as informações que se conhecesse sobre o caso foram as publicadas pela mídia brasileira, a partir de relatos de parentes da vítima, já que a polícia local não divulgou detalhes. Segundo o jornal, a polícia de Zurique "conclui que as circunstâncias exatas do incidente não são claras". "E ela não pode dar nenhuma informação sobre o estado de saúde da mulher ou do andamento do inquérito por 'razões táticas'", afirma o texto.
O diário La Tribune de Genève, por sua vez, em um texto intitulado "Uma brasileira grávida foi mutilada por neonazistas", descreve como "horror" a reação às fotos de Paula com marcas pelo corpo. O jornal observa, porém, que "a polícia não confirma o depoimento da jovem". "[A polícia] ainda tem que entrevistá-la sobre os fatos e buscar testemunhas para a tragédia", diz o texto. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
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