Índice de abstenção nas eleições hondurenhas divide oposição e governo
Dados oficiais falam de participação de 61% do eleitorad ; oposição diz que número foi menor que 40%.

A questão do comparecimento eleitoral nas eleições hondurenhas pode ser um novo ponto de discórdia entre simpatizantes do presidente deposto, Manuel Zelaya, e o governo interino que realizou o pleito.
Cifras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) hondurenho indicam uma participação de 61% do eleitorado - cerca de 2,5 milhão de votos - com abstenção menor do que 40%.
Mas a oposição contesta estes números.
"A abstenção nestas eleições foi de 67% e vamos provar isto", afirmou Carlos Reyes, assessor de Zelaya, à BBC Brasil.
"O governo declara que a média de votos por urna foi de 185", disse ele.
"Mas tivemos delegados eleitorais do nosso partido, o PL, presentes em cerca de 2 mil seções eleitorais e eles trouxeram cópias das atas de votação."
"A média nestas atas é de apenas 100 a 110 votos por urna. Se esta média se mantiver, o nível de abstenção é maior, de cerca de 67%."
Legitimidade
Um grande número de votantes daria legitimidade às eleições, ao passo que um comparecimento menor do que os 55% registrados no último pleito agradaria os partidários do presidente deposto, Manuel Zelaya.
Reyes disse que "não há possibilidade caminho judicial honesto em Honduras" para apresentar suas alegações.
"A saída é que seja nomeado um tribunal independente, pela ONU, para examinar a questão", diz.
Um dia após as eleições que nomearam Porfírio "Pepe" Lobo o novo presidente do país, Zelaya estaria "em excelente estado de espírito"
"Zelaya celebra a vitória contundente que demonstrou o povo hondurenho ao boicotar em massa o pleito", afirmou.
A afirmação que contraria outras fontes ligadas à embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde o presidente deposto está refugiado desde 21 de setembro, que dizem que Zelaya estaria abatido e cogitando o que fazer após o fim de seu mandato em 27 de janeiro.
Uma das possibilidades estudadas é a de exílio em algum país vizinho, como a Nicarágua.
Crise
A crise política em Honduras teve início em 28 de junho, quando o presidente eleito do país, Manuel Zelaya, foi destituído do cargo pelas Forças Armadas, acusado de violar a Constituição do país, e em seu lugar assumiu um governo interino, liderado pelo antigo presidente do Congresso, Roberto Micheletti.
A deposição foi condenada internacionalmente e, no final de setembro, Zelaya voltou clandestinamente a Honduras abrigando-se na embaixada do Brasil, onde está desde então.
Na próxima quarta-feira, como parte de um acordo intermediado pelos Estados Unidos, o Congresso deve votar se Zelaya voltará a ocupar a Presidência até o final de seu mandato, em 27 de janeiro.
Mas Zelaya vem repetindo que não aceitaria voltar ao poder porque isto significaria compactuar com o que chama de "regime golpista".
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