Interrogatório de Mladic é interrompido devido ao seu estado de saúde
Preso nesta quinta, ex-general servo-bósnio é considerado responsável por genocídios no anos 1990

Mladic observa batalha na cidade de Gorazde em abril de 1994.
BELGRADO - O interrogatório do ex-general servo-bósnio Ratko Mladic, preso nesta quinta-feira, 26, pelas autoridades da Sérvia, foi interrompido por conta de seu estado de saúde, informou seu advogado, Milos Saljic, à agência AFP. Uma equipe médica determinará nas sexta se Mladic, acusado pelo massacre de 8 mil muçulmanos em Srebrenica durante a Guerra da Bósnia, poderá comparecer a uma nova audiência.
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Mladic foi levado ao interrogatório pouco tempo depois de sua prisão, mas não pode ser questionado pelo juiz "devido a condições físicas e psicológicas precárias", disse seu advogado, completando que é difícil estabelecer qualquer comunicação com o ex-comandante. "O juiz decidiu interromper o interrogatório e nem sequer pode obter informações elementares", completou.
A versão do representante de Mladic, porém, foi rebatida por Bruno Vekaric, porta-voz do tribunal sérvio. De acordo com ele, o ex-general se apresentou formalmente ante o juiz e estava em perfeitas condições de se comunicar. "Não se parece com o homem que conhecíamos nos anos 1990", disse.
Ainda segundo o advogado, Mladic, de 69 anos, disse não reconhecer a autoridade do Tribunal Penal Internacional (TPI) para a Antiga Iugoslávia, mantido pela Organização das Nações Unidas (ONU), que o acusa de genocídio e crimes contra a humanidade. Ele estava foragido desde 1995, quando foi indiciado pela corte internacional.
O procurador-geral do TPI, Serge Brammertz, reconheceu "o trabalho realizado" pelas autoridades sérvias para deter o ex-general. "Agradecemos (às autoridades sérvias) o cumprimento de suas obrigações para o Tribunal e para a justiça", indicou Brammertz em comunicado, no qual destaca os "esforços da comunidade internacional ao apoiar as medidas que asseguravam" a detenção de Mladic.
A prisão de Mladic também foi comemorada pelo presidente da Sérvia, Boris Tadic. "Hoje fechamos um capítulo difícil de nossa história recente. Estou muito orgulhoso de nossas forças de segurança e quero felicitá-las. É muito bom para a Sérvia que este capítulo esteja fechado. Acho que todas as portas para nossa entrada na União Europeia (UE) estão abertas", disse.
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